Integrantes de grupo dos carecas negam envolvimento no crime
Renato Lombardi
Agência Estado
De São Paulo
A polícia continua em busca de mais provas contra os 18 skinheads acusados do assassinato do adestrador de cães Edson Neris da Silva, de 35 anos. Dois moradores de rua e um empresário foram ouvidos e teriam apontado alguns dos jovens presos como responsáveis pela morte. Outros estão procurando a polícia para contar o que viram, mas pedem anonimato com medo de ficarem marcados pelos skinheads em liberdade.
Dário Pereira Neto, amigo do adestrador de cães e testemunha das agressões, continua sendo procurado. Ele é funcionário da Credicard e está de licença médica. Em seu endereço, na Vila Medeiros, zona norte, os policiais souberam que ele está ausente desde a semana passada.
Juliano Filipini Sabino, de 28 anos, despachante aduaneiro, e José Nilson Pereira da Silva, de 27, corretor de seguros, dois dos acusados, negaram o crime no 4º Distrito Policial da Consolação, onde estão recolhidos. Recolhido no 3º DP, de Santa Efigênia, Santos negou sua participação, mas teria dito que viu o grupo, do qual fazia parte, espancar o adestrador de cães. Estão dizendo que eu denunciei o grupo, mas não denunciei ninguém. Sabino e Silva alegaram não ter passado na madrugada de domingo pela Praça da República, onde ocorreu o assassinato.
Eles disseram que não conhecem Santos e estavam tomando cerveja no bar Recanto dos Amigos, na Bela Vista, com outros skinheads quando chegaram os policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE). Ele está no grupo faz 15 anos e disse que pregam o amor à bandeira do Brasil. Nos identificamos com as idéias nacionalistas, mas não temos nada contra negros, prostitutas, homossexuais, judeus, e aqui na cela até conversamos com alguns travestis. Se nosso ódio fosse contra os negros, o José Nilson (Silva) não faria parte dos Carecas porque basta ver a cor dele, disse Sabino, algemado ao lado de Silva que é filho de negros.





