Brasília, 07 (AE) - Os organizadores da Marcha Popular pelo Brasil perderam o controle sobre os manifestantes, que tentaram invadir hoje a sede do Banco Central em Brasília, depois do meio-dia. De nada adiantaram os gritos dos líderes dos movimentos sociais, do alto do caminhão de som, para que os integrantes da marcha não corressem para a entrada principal do BC. Ninguém ouvia e o clima ficou tenso. Houve empurra-empurra entre policiais e manifestantes.
Minutos antes da tentativa de invasão do prédio do BC, um dos organizadores, de dentro de um carro de som, incitou: "O bicho vai ou não vai pegar no Banco Central?", enquanto os manifestantes respondiam "vai". Em seguida, várias pessoas correram para a entrada do prédio, que fica do lado oposto para onde ia a marcha.
A tropa da cavalaria, equipada com sabres, ficou debaixo da marquise do BC, fechando a passagem que dá acesso à entrada e à saída do prédio, enquanto outros policiais formaram um cordão de isolamento protegendo as vidraças do edifício, que não tem paredes convencionais. Um dos policiais a cavalo ameaçou usar o sabre, se os manifestantes insistissem em avançar.
Policiais nervosos de um lado e manifestantes gritando "fora FMI, fora FHC" ficaram frente a frente, enquanto dezenas de servidores do BC, de saída para o almoço, não puderam deixar o prédio. O controle foi retomado com os organizadores formando um cordão com os próprios integrantes da marcha, menos afoitos, separando os manifestantes dos policiais.
"Colocamos a cavalaria na entrada justamente para impedir invasão do prédio", comentou o comandante da operação policial, coronel Juan José Lopes, dizendo que, apesar do contratempo, não precisou chamar o reforço de outros 50 policiais que estavam de sobreaviso, perto do BC.
Não houve feridos durante os 15 minutos em que os manifestantes tentaram forçar a entrada no prédio do Banco Central. A idéia inicial dos líderes era organizar os manifestantes num abraço ao prédio do Banco Central, ponto final da marcha que percorreu 1.580 quilômetros, para protestar contra a política econômica, o Fundo Monetário Mundial (FMI) e, de última hora, também contra o presidente Fernando Henrique Cardoso. Mesmo com o princípio de tumulto, os funcionários do BC continuaram a jogar papel picado pelas janelas viradas para a concentração e estenderam uma faixa com os dizeres "Fora FMI", por alguns minutos, causando furor entre os manifestantes.
Fora a confusão no Banco Central, a marcha comportou-se de forma ordeira e pacífica desde sua entrada em Brasília. Somente foram registrados engarrafamentos em alguns trechos, pois a marcha obrigou os carros a desviar.

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