Integração regional aumentaria preço da tarifa em Londrina
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segunda-feira, 22 de abril de 2013
Lucio Flávio Cruz <br> Reportagem Local 
Londrina - A integração do transporte público de Londrina com as demais cidades da região metropolitana aumentaria o valor da tarifa para o usuário londrinense. Esta é só uma das dificuldades que precisam ser superadas para a implantação de um projeto de interligação.
Um sistema de transporte integrado voltou a ser debatido em virtude do embate sobre o pagamento de subsídio do governo do Estado para o transporte público nas grandes cidades.
Para o Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo de Londrina (Metrolon), é possível implantar uma tarifa única, mas isso oneraria diretamente o sistema de transporte municipal, em virtude do aumento na quilometragem.
É ilusão pensar que a tarifa de Londrina ficaria mais barata, aponta, através de nota, a diretoria do Metrolon. Por outro lado, o número de usuários aumentaria, resultando em crescimento da arrecadação das empresas. A tarifa hoje é de R$ 2,45. Em Londrina, 160 mil usuários utilizam o transporte público diariamente.
Em Ibiporã e Cambé, cidades da região metropolitana, a tarifa custa R$ 2,60.
A essência do transporte integrado é justamente o valor único da tarifa para o deslocamento entre municípios. Realmente há uma dificuldade grande para se chegar a este valor, já que não podemos onerar ainda mais o custo do usuário da cidade polo, explica o coordenador da Região Metropolitana de Maringá (RMM), João Carvalho Pinto.
Na prática, apenas Curitiba possui um sistema interligado no Paraná. Londrina e Maringá têm projetos e estudos em andamento, mas não é possível determinar quando o usuário poderá usufruir desse serviço.
Falta de acordo entre municípios, custo operacional e ausência de órgão regulador são outros pontos que dificultam a integração.
Por outro lado, muitos acreditam que este é o momento ideal, já que há interesse político e investimento do Estado para que os projetos saiam do papel. É possível e necessário implantar a integração do transporte em Londrina. Temos que aproveitar o momento e contar com o apoio de toda a sociedade organizada, ressalta o coordenador da Região Metropolitana de Londrina (RML), Victor Hugo Dantas.
Acredito que é viável implantar a integração em Londrina, mas precisamos de estudos mais aprofundados e a nossa pequena estrutura dificulta o trabalho, ressalta o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Robinson Borba.
Todos precisam mostrar interesse e boa vontade: empresas, prefeituras e governo estadual. Além de um estudo bem feito com todas as variáveis que envolvam o processo, aponta Carvalho. O transporte interligado vai fatalmente melhorar a qualidade do serviço e o conforto do usuário. O objetivo de qualquer projeto de integração é mais qualidade e menor preço.
O Metrolon entende que a integração do transporte metropolitano deve ser objeto de estudos que incluam, por exemplo, pesquisa de origem e destino, para que não ocorra aumento do custo operacional do sistema. Fazer simplesmente a integração, sem estudo de viabilidade técnica, é altamente arriscado.
Em Londrina, foram feitas reuniões com os 16 prefeitos dos municípios da região metropolitana, além de Arapongas e Apucarana, mas uma definição ainda está longe de ser alcançada. Todos os prefeitos têm interesse na integração, mas não é possível definir quando será possível colocar em prática. Precisamos aguardar ainda mais estudos, declara Dantas.
O projeto londrinense prevê a construção de dois terminais intermunicipais nos extremos leste e oeste do município. Hoje a integração acontece apenas em Londrina e para que ocorra nas demais cidades novos terminais são fundamentais, destaca o coordenador da RML.
Na capital, o órgão responsável pelo gerenciamento dos serviços do transporte coletivo metropolitano é a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), que é uma entidade estadual, com o auxílio da Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs), órgão municipal, por meio de convênio.
O ideal é realmente criar um órgão com vínculo estadual para que ele trabalhe em parceria com as prefeituras das cidades envolvidas no projeto, relata Victor Hugo Dantas. É interessante também ter representantes da sociedade organizada para mostrar transparência no processo, aponta o coordenador da RML.
Em Curitiba, de acordo com a Comec, são 25 milhões de usuários do transporte coletivo por mês. Deste total, 25% são passageiros de municípios da região metropolitana. A tarifa para a capital e para mais 13 cidades que fazem parte da Rede Integrada de Transporte (RIT) é de R$ 2,85.
Outra dificuldade é que as coordenadorias das regiões metropolitanas de Londrina e Maringá não possuem orçamentos próprios para projetos de mobilidade urbana. Com isso, a maior parte do investimento na integração do transporte público metropolitano fica a cargo dos municípios.


