Londrina - A integração do transporte público de Londrina com as demais cidades da região metropolitana aumentaria o valor da tarifa para o usuário londrinense. Esta é só uma das dificuldades que precisam ser superadas para a implantação de um projeto de interligação.
Um sistema de transporte integrado voltou a ser debatido em virtude do embate sobre o pagamento de subsídio do governo do Estado para o transporte público nas grandes cidades.
Para o Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo de Londrina (Metrolon), é possível implantar uma tarifa única, mas isso oneraria diretamente o sistema de transporte municipal, em virtude do aumento na quilometragem.
‘‘É ilusão pensar que a tarifa de Londrina ficaria mais barata’’, aponta, através de nota, a diretoria do Metrolon. Por outro lado, o número de usuários aumentaria, resultando em crescimento da arrecadação das empresas. A tarifa hoje é de R$ 2,45. Em Londrina, 160 mil usuários utilizam o transporte público diariamente.
Em Ibiporã e Cambé, cidades da região metropolitana, a tarifa custa R$ 2,60.
A essência do transporte integrado é justamente o valor único da tarifa para o deslocamento entre municípios. ‘‘Realmente há uma dificuldade grande para se chegar a este valor, já que não podemos onerar ainda mais o custo do usuário da cidade polo’’, explica o coordenador da Região Metropolitana de Maringá (RMM), João Carvalho Pinto.
Na prática, apenas Curitiba possui um sistema interligado no Paraná. Londrina e Maringá têm projetos e estudos em andamento, mas não é possível determinar quando o usuário poderá usufruir desse serviço.
Falta de acordo entre municípios, custo operacional e ausência de órgão regulador são outros pontos que dificultam a integração.
Por outro lado, muitos acreditam que este é o momento ideal, já que há interesse político e investimento do Estado para que os projetos saiam do papel. ‘‘É possível e necessário implantar a integração do transporte em Londrina. Temos que aproveitar o momento e contar com o apoio de toda a sociedade organizada’’, ressalta o coordenador da Região Metropolitana de Londrina (RML), Victor Hugo Dantas.
‘‘Acredito que é viável implantar a integração em Londrina, mas precisamos de estudos mais aprofundados e a nossa pequena estrutura dificulta o trabalho’’, ressalta o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Robinson Borba.
‘‘Todos precisam mostrar interesse e boa vontade: empresas, prefeituras e governo estadual. Além de um estudo bem feito com todas as variáveis que envolvam o processo’’, aponta Carvalho. ‘‘O transporte interligado vai fatalmente melhorar a qualidade do serviço e o conforto do usuário. O objetivo de qualquer projeto de integração é mais qualidade e menor preço.’’
O Metrolon entende que a integração do transporte metropolitano deve ser objeto de estudos que incluam, por exemplo, pesquisa de origem e destino, para que não ocorra aumento do custo operacional do sistema. ‘‘Fazer simplesmente a integração, sem estudo de viabilidade técnica, é altamente arriscado.’’
Em Londrina, foram feitas reuniões com os 16 prefeitos dos municípios da região metropolitana, além de Arapongas e Apucarana, mas uma definição ainda está longe de ser alcançada. ‘‘Todos os prefeitos têm interesse na integração, mas não é possível definir quando será possível colocar em prática. Precisamos aguardar ainda mais estudos’’, declara Dantas.
O projeto londrinense prevê a construção de dois terminais intermunicipais nos extremos leste e oeste do município. ‘‘Hoje a integração acontece apenas em Londrina e para que ocorra nas demais cidades novos terminais são fundamentais’’, destaca o coordenador da RML.

Parceria


Na capital, o órgão responsável pelo gerenciamento dos serviços do transporte coletivo metropolitano é a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), que é uma entidade estadual, com o auxílio da Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs), órgão municipal, por meio de convênio.
‘‘O ideal é realmente criar um órgão com vínculo estadual para que ele trabalhe em parceria com as prefeituras das cidades envolvidas no projeto’’, relata Victor Hugo Dantas. ‘‘É interessante também ter representantes da sociedade organizada para mostrar transparência no processo’’, aponta o coordenador da RML.
Em Curitiba, de acordo com a Comec, são 25 milhões de usuários do transporte coletivo por mês. Deste total, 25% são passageiros de municípios da região metropolitana. A tarifa para a capital e para mais 13 cidades que fazem parte da Rede Integrada de Transporte (RIT) é de R$ 2,85.
Outra dificuldade é que as coordenadorias das regiões metropolitanas de Londrina e Maringá não possuem orçamentos próprios para projetos de mobilidade urbana. Com isso, a maior parte do investimento na integração do transporte público metropolitano fica a cargo dos municípios.

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