Rio, 28 (AE) - A íntegra do discurso do presidente Fernando Henrique Cardoso na abertura da Reunião de Trabalho dos Chefes de Estado e do Governo do Mercosul, Chile e União Européia.
"Tenho satisfação muito especial de dar início aos trabalhos deste encontro. Aqui estaremos, juntos, tomando decisões cruciais para o desenvolvimento e o bem-estar de nossos povos. O relacionamento entre o Mercosul e a União Européia tem praticamente a mesma idade do próprio Mercosul. Apenas um mês após a assinatura do Tratado de Assunção, oito anos atrás, reuniam-se pela primeira vez nossos ministros de Relações Exteriores.
Desde então, construimos uma tradição de diálogo e de aproximação progressiva, que demostra o interesse das duas regiões de fortalecer os seus vínculos e a consciência do quanto temos a ganhar com isso.
O acordo-quadro que assinamos em Madri, em 1995, foi um passo importante. Estabelecemos o objetivo comum de construir uma associação inter-regional nos terrenos político, econômico e de cooperação.
As sementes frutificaram. Na esfera política, já convivemos no propósito de aprofundar o diálogo e a coordenação. Este é um instrumento essencial para promover nossos valores compartilhados e tornar a sociedade internacional mais democrática e participativa. Procuramos igualmente incrementar a cooperação destinada a reforçar o processo de integração do Cone Sul e a estimular o aumento do comércio e a transferência de tecnologia.
Depois de procedermos a uma avaliação dos intercâmbios atuais e potenciais entre as duas regiões e de suas pespectivas, estamos hoje prontos para a decisão de lançar negociações com vistas à liberalização das trocas comerciais.
Os presidentes dos países do Mercosul reunimo-nos há apenas quinze dias, em Assunção, onde reiteramos o propósito de construir um mercado comum apoiado nos pilares da democracia, da estabilidade econômica a da justiça social.
O Mercosul tem sido uma alavanca para o desenvolvimento de nossos países. Estamos empenhados em aprofundar nossa integração
aceitando o desafio de intensificar a coordenação macroeconômica, a começar pelas questões que dizem respeito à política fiscal, e de caminhar para a adoção de uma moeda comum. Ao mesmo tempo, desejamos intensificar os vínculos do Mercosul com os demais países da América do Sul, rumo a um espaço de prosperidade compartinhada. São animadores os resultados e pespectivas dos acordos concluídos com o Chile e a Bolívia, países que vêm associando de forma cada vez mais abrangente ao nosso esforço integrador.
O Mercosul afirma-se como um dos principais elementos em nossa estratégia de crescimento e de projeção internacional. O relacionamento com a União Européia configura outra dimensão - que estimamos também fundamental - da mesma estratégia. O avanço na direção de uma associação inter-regional é indispensável para que possamos manter o equilíbrio e a diversidade de nossas relações externas, complementando outras iniciativas da mesma natureza, em particular a construção da parceria hemisférica.
O desafio da globalização impõe-nos o esforço de desenvolver todas as vertentes e possibilidades de cooperação e intercâmbio. Os projetos de associação do Mercosul e do Chile com a União Européia abrem, assim, uma nova página na historia de nosso relacionamento.
Refletem promissoras petspectivas de comécio e investimentos. Orientam-se pela preocupação comum a ambas as regiões de unir a estabilidade ao crescimento e à geração de empregos. Pretendemos lançar hoje as bases de um vínculo comercial mais forte, mediante a abertura de negociações para a progressiva liberalização das trocas entre o Mercosul e o Chile e a União Européia.
O início desse processo negociador, tendo como objetivo último o livre-comércio, representará um salto qualitativo em nossas relações. A própria experiência da integração, tanto na União Européia quanto no Mercosul, tem demostrado ao longo do tempo que a abertura é recíproca de mercados é fator primordial na construção de associações sólidas e dinâmicas. Este é um projeto que ultrapassa a dimensão comercial e afirma sua importância também no plano político.
São assim justificadas as expectativas que desperta nossa reunião de hoje. O que podemos fazer aqui hoje terá consequêcias não apenas para o momento presente, mas para as gerações futuras
que terão as vantagens de um comércio mais livre entre a Europa e a América do Sul. Este é o nosso desafio. Este é o nosso mandato. Vamos cumpri-lo. Muito obrigado."

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