Brasília, 10 (AE) - A íntegra da carta do ministro da Fazenda, Pedro Malan, ao ministro da Justiça, Renan Calheiros.
"Prezado Ministro Calheiros O jornal "Folha de S.Paulo", em sua edição de sábado, 08 de maio, publica manchete em primeira página com o título "Malan sabia da ajuda ao Marka, diz PF". O texto principal começa com a seguinte sentença: "A Polícia Federal está convencida de que o ministro Pedro Malan (Fazenda) sabia da operação de socorro aos bancos Marka e FonteCindam na época em que ela foi realizada." A matéria diz também que esta convicção está baseada em depoimentos e documentos. A revista "IstoÉ" deste fim de semana publica texto exatamente do mesmo teor, praticamente com as mesmas palavras, sugerindo que a fonte das duas publicações seria a mesma. Aparentemente, a base para a convicção expressada com tanta certeza é o fato sabido, e amplamente noticiado à época, de que efetivamente estive no banco central na manhã do dia 15 de janeiro, fato que deve ter soado como uma grande descoberta ao informante das duas publicações.
Convidado pelo "Jornal Nacional", da Rede Globo, a pronunciar-me sobre o assunto, assim o fiz em entrevista que foi ao ar no próprio sábado, 8 de maio. Disse, nessa gravação, que a afirmação constante das duas matérias é uma mentira, uma leviandade e uma irresponsabilidade que me deixam indignado. Disse ainda que desafiava quem quer que fosse a fazer uma acareação comigo, em que tivesse a coragem e a desfaçatez de dizer, frente a frente, que havia participado de uma reunião com a minha presença, na qual tenham sido discutidas, negociadas e/ou aprovadas a operações com os bancos Marka e FonteCindam.
Quanto à minha ida ao Banco Central no dia 15 de janeiro, disse que este era um fato conhecido e amplamente divulgado pela imprensa à época. Com efeito, e conforme noticiado, estive no Banco Central com o Dr Amaury Bier discutindo exclusivamente o regime cambial brasileiro e as alternativas para sua modificação
dadas as flagrantes dificuldades de manutenção do sistema que vinha funcionando desde 13 de janeiro. Não tratei de qualquer outro assunto nesse dia - e nem na véspera, quando aparentemente a decisão sobre os Bancos teria sido tomada pela diretoria do Banco Central.
O que me leva a dirigir-lhe esta carta é uma solicitação formal que sinto necessidade de lhe fazer. Na medida em que uma das fontes citadas pelas duas publicações é, não uma pessoa, que prefere o anonimato, mas um órgão, a "Polícia Federal", subordinado ao seu Ministério, peço-lhe que a Polícia Federal, ou quem de direito, confirme ou desminta a acusação que me foi feita pelas duas publicações através de seu informante a nônimo.
Caso a Polícia federal confirme oficialmente a sua "convicção", peço-lhe que a instrua a divulgar imediatamente as evidências e as provas em que se baseia ou se baseou para transmitir à imprensa uma "conclusão", divulgada antes mesmo de encerradas as investigações, ou, pior, enquanto depoimentos ainda estavam sendo prestados por funcionários do Banco Central.
Aguardando uma comunicação sua, despeço-mme.
Atenciosamente,
Pedro Sampaio Malan"

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