Insústria do turismo investe US$ 185 milhões em resorts
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segunda-feira, 06 de dezembro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 06 (AE) - A indústria do turismo no Brasil está em franca expansão e uma demonstração disso são três empreendimentos hoteleiros em construção que somam investimentos de US$ 185 milhões. Um quarto projeto de US$ 100 milhões está em fase final de negociação, enquanto outros sete, que totalizam US$ 2 bilhões, estão à procura de financiamento para saírem da prancheta.
Todos esses empreendimentos são resorts na região Nordeste do País, que serão voltados ao turista estrangeiro. Ao oferecer a tríade sol, areia e praia, esses resorts, que serão operados pelas grandes redes hoteleiras internacionais, querem disputar clientes com seus congêneres no Caribe. Nas ilhas caribenhas, há 35 mil quartos em resorts, enquanto no Brasil, apenas 2,5 mil, o que demonstra o enorme potencial desse mercado.
"O potencial do Brasil é muito grande", disse Cameron Burnet, vice-presidente de projetos e novos negócios do grupo jamaicano SuperClubs, um dos três operadores, junto com o Sofitel e Renaissance, do megaresort Costa do Sauípe, na Bahia, que começa a operar em julho de 2000. Trata-se de um investimento de US$ 125 milhões da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, para a construção de quatro hotéis cinco estrelas, um quatro estrelas e seis pousadas (1.650 apartamentos).
Os mega-resorts - O Costa do Sauípe, pelo seu tamanho, é o primeiro mega-resort no Brasil. "Há outros mega-projetos prontos que estão em busca de financiamento", disse José Ernesto Marino Neto, presidente da BSH Consultoria Hoteleira, organizadora do III Seminário Internacional de Resorts que vai até amanhã no Hotel Meliá, em São Paulo.
A partir do Plano Real, os grandes operadores e investidores internacionais voltaram-se para o Brasil, de olho no tamanho do mercado do País que tende a crescer muito. No ano passado, 38,5 milhões de brasileiros viajaram pelo Brasil. Neste ano, com a desvalorização da moeda que reduziu drasticamente as viagens ao exterior, o número de viajantes deve saltar para 45 milhões. O número de estrangeiros que vem ao Brasil também cresceu, passando de 1,8 milhão em 1994 para 4,8 milhões em 1998. Melhorias na infra-estrutura turística nacional, como reformas em aeroportos, explicariam esse crescimento.
Imagem no exterior - De acordo com Burnet, os mega-resorts em terras brasileiras precisarão de um certo tempo para conquistar o turista internacional. No início, o público alvo será o brasileiro. O SuperClubs vai tentar atrair grupos, mas reconhece que há várias barreiras a enfrentar. Os americanos
por exemplo, não precisam de um passaporte e de um visto de entrada para ir ao Caribe. No Brasil, precisam e a maioria deles não tem passaporte. Além disso, a distância é grande e americanos querem falar inglês mesmo quando estão em férias num país tropical.
Os europeus, segundo ele, são mais flexíveis e propensos a aventuras, devendo ser alvo de campanhas publicitárias dos resorts. Isso explica, por exemplo, o investimento de US$ 30 milhões do Club Med na construção de um resort em Trancoso, na Bahia, com financiamento do BNDES. Ou da entrada da italiana Valtur no Brasil. Neste mês, a empresa começa a operar um resort em Búzios, no Rio de Janeiro, mas promete inaugurar um segundo mega-resort (mil leitos) em 2002, na divisa entre Bahia e Sergipe.
Campos de golfe - Ao escolher um resort, o turista estrangeiro, notadamente o americano, checa a existência de um item específico: um campo de golfe. O Costa de Sauípe, lembrou Burnet, terá o seu. De olho nessa exigência, será erguido o Doral São Francisco, na cidade de Osasco (SP). Trata-se de um resort voltado para conferências, com auditórios altamente sofisticados, segundo Marino Neto, responsável pela consultoria do projeto. Uma parceria permitirá ao hotel, que fica localizado ao lado do São Francisco Golfe Clube e do Spa Fit Solarium , oferecer o campo aos seus hóspedes.
"É o primeiro do tipo no Brasil", disse Marino Neto. O empreendimento de US$ 30 milhões é de Armando Conde (ex-BCN) e o operador será o grupo americano Meristar, que opera nove outros conference resorts nos Estados Unidos e outros 221 hotéis através de franquias. Este é o primeiro projeto fora dos Estados Unidos. A construção do hotel deve começar em junho e a entrega será em 30 meses.
Preços mais baixos - Se a desvalorização do real aumentou o tamanho do mercado interno e tornou o País mais atrativo para o turista estrangeiro, Burnet listou também duas consequências negativas: achatou o poder de consumo do brasileiro e trouxe incertezas para a economia. Mesmo assim, ele tem outros planos para o Brasil, além de Sauípe. O turismo nacional tem muito espaço para hotéis mais baratos, de duas ou três estrelas, que "os brasileiros possam pagar".
Marino Neto ponderou que a falta de financiamento limita o crescimento da hotelaria no País. Os recursos do BNDES são mínimos, segundo ele, e com prazo máximo de pagamento de 12 anos
considerado insuficiente. Há quatro meses, a BSH está assessorando dois fundos americanos, um de pensão e outro, imobiliário. Eles nunca atuaram no Brasil e nem mesmo na América Latina. Temem mudanças bruscas na economia e, assim, embora tradicionalmente financiem empreendimentos no setor, querem comprar ativos já prontos no Brasil. Mas, como esse mercado ainda é novo, é muito difícil achar uma oportunidade de negócio.


