Insulina inalável deve chegar ao mercado em 2006
Um dos maiores dilemas de quem sofre da doença é lidar com as injeções de insulina, conta Denise Reis Franco, endocrinologista da Associação de Diabetes Juvenil. ''Além do preconceito com a seringa, dá trabalho carregar injeções, agulhas e algodão aonde for. Mas o maior problema dessa aversão é que ela costuma retardar os tratamentos com insulina.''
Um dos produtos mais esperados no mercado farmacêutico, previsto para chegar em 2006, promete facilitar ainda mais o dia-a-dia do diabético: a insulina inalável. Entre os laboratórios que estão apostando na novidade estão Pfizer, Sanofi-Aventis (que juntos criaram o Exubera) e Eli Lilly (produtora do Device).
As insulinas tradicionais são jogadas na corrente sanguínea por injeções subcutâneas. A idéia de usar o pulmão, órgão com grande superfície de absorção, para espalhar o hormônio na forma inalável da insulina é inédita. Mas, a maior dificuldade foi embalar a insulina em partículas no tamanho exato para chegar até o pulmão.
Se as partículas fossem grandes demais, haveria o risco, pelo peso, de ficarem paradas no meio do caminho, antes de chegar aos pulmões, como na garganta, traquéia ou nos brônquios. Pequenas demais, poderiam ser levadas pelo ar antes mesmo de serem aspiradas. Outra etapa que precisou ser vencida foi em relação ao próprio aparelho inalador, antes desenhado apenas para tratar problemas até os brônquios.
''A inalável vem para substituir a insulina de ação rápida, aquela que age em cerca de 30 minutos e dura de duas a quatro horas'', relata Antônio Carlos Lerário, supervisor de equipe médica de diabetes do Serviço de Endocrinologia e Metabologia, do Hospital das Clínicas de São Paulo. ''A indicação, na maioria das vezes, é para o diabético do tipo 2.''
As insulinas injetáveis também vêm sendo incrementadas. Entre elas, a Lantus, que chegou em 2003, e a Levemir, do laboratório Novo Nordisk. As duas têm duração de 24 horas no organismo, sem picos. Isso é possível graças a cristais especiais que entram na corrente sanguínea e liberam o hormônio gradualmente. (Adriana Dias Lopes/Agência Estado)





