Institutos se unem para identificar genes
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de agosto de 2000
Simone Biehler Mateos Agência Estado De São Paulo 
O Instituto Ludwig de São Paulo e o Instituto Nacional do Câncer (INC) dos Estados Unidos estão firmando uma parceria para identificar a maior parte dos genes humanos até o fim de 2001.
Os parceiros acreditam que, até dezembro do próximo ano, sequenciarão praticamente todos os fragmentos de genes existentes, ou seja, terão descoberto a ordem das letras químicas da maior parte das páginas da receita genética humana. Restará ordenar as páginas descobrindo onde começa e onde termina cada gene.
Os institutos avançarão também no processo de transcriptoma, ou seja, no conhecimento da maneira pela qual um gene pode sintetizar proteínas distintas. Esses estudos abrem perspectivas mais concretas de desenvolvimento de drogas a partir das informações genéticas.
O melhor é que toda a informação resultante será de domínio público, não podendo ser patenteada. A idéia é fornecer informações que facilitem o desenvolvimento de novas drogas contra o câncer e outras doenças, disse Andrew Simpson, coordenador do Projeto Genoma Câncer brasileiro. Só essas drogas seriam patenteadas e os genes, não.
Os dois parceiros, que terão na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) o terceiro aliado, já são hoje as duas instituições de pesquisa do mundo que mais produzem sequências de genes humanos.
A união dos esforços deverá acelerar os trabalhos, por garantir que as metodologias usadas pelos dois grupos se complementem. Tanto o INC como o Instituto Ludwig desenvolvem projetos de sequenciamento dos genes expressos nos tipos de tumores mais comuns nos dois países. Essa metodologia permite sequenciar apenas os genes, desprezando 97% do DNA, que é considerado apenas lixo evolutivo.
Partindo dos genes expressos, poderemos identificar praticamente todos os genes humanos porque tanto o nosso projeto como o Projeto Genoma Câncer brasileiro ampliaram seus horizontes, passando a sequenciar também uma ampla diversidade de tecidos saudáveis, explicou hoje Robert Strausberg, coordenador do Projeto Genoma Câncer do INC.
Na reunião de anteontem, o quinto encontro das três instituições, decidiu-se que o INC concentrará os esforços nos genes menores. Com as tecnologias desenvolvidas pelo INC, que privilegiam a clonagem da parte inicial, eles esperam clonar esses genes inteiros ou obter os fragmentos que faltam para completá-los.


