São Paulo, 29 (AE) - O Instituto de Pesquisas e Estudos Industriais (Ipei), da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), de São Bernardo do Campo (SP), está desenvolvendo o projeto de uma usina de tratamento de resíduos de madeira. O objetivo é oferecer às indústrias de móveis do município uma alternativa viável para o destino dos dejetos, de acordo com a legislação ambiental. O diretor do Ipei, Francisco Enéas Cunha Lemos, explica que a usina deverá captar cerca de 4,2 mil toneladas de cavacos, retalhos e serragem produzidas mensalmente por cerca de 450 indústrias do Grande ABC. A maior parte dessa madeira será transformada em carvão energético - que pode ser vendido para siderúrgicas.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de São Bernardo e Região, Hermes Soncini, acredita que a usina proporcionará redução de custos ao pólo moveleiro. "As empresas enfrentam despesas com a deposição em lixões e, com a nova legislação ambiental, as multas por descartes irregulares estão crescendo", diz ele. Segundo Lemos, a deposição irregular de dejetos de madeira das fábricas, frequentemente associados a resinas e tintas, pode contaminar as pessoas e o solo. Projeto comunitário - A primeira etapa do projeto - o estudo de viabilidade técnico-econômica - foi encerrada em maio. Participaram dessa fase, na qual foram investidos R$ 56 mil, o sindicato, 22 fábricas de móveis, o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) e a prefeitura de São Bernardo. Na segunda etapa, explica Lemos, serão detalhados o processo industrial e a localização. O início da produção está previsto para meados do ano 2001. A expectativa dos idealizadores é a de que a usina se transforme num projeto comunitário, com a participação de várias empresas do setor moveleiro. Outra meta é que o projeto se pague - a receita obtida com a venda de carvão deve ser suficiente para cobrir os custos da usina. Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de São Bernardo do Campo, Fernando Longo, as montadoras de veículos da região do ABC poderão aderir ao projeto. As negociações nessa direção já começaram. As montadoras recebem autopeças e equipamentos envoltos em embalagens de madeira, que acarretam grande quantidade de dejetos.

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