São Paulo - O Instituto Butantan e a empresa norte-americana do setor farmacêutico Merck & Co. Inc, Kenilworth, NJ., USA, (conhecida fora dos EUA e Canadá por MSD), uma das líderes do mercado global, assinaram nesta quarta feira (12) um acordo inédito de colaboração tecnológica e em pesquisa clínica no desenvolvimento de suas vacinas contra a dengue. Pelo acordo, o Instituto Butantan irá receber da MSD, inicialmente, US$ 26 milhões, mas o investimento total poderá chegar a US$ 101 milhões. As instituições irão compartilhar informações sobre suas pesquisas clínicas com o objetivo de produzir uma vacina que visa proteger contra os quatro tipos da dengue.

A nova vacina já está no final da fase três de ensaios clínicos e, segundo o diretor do Instituto Butantan, Dimas Tadeu Covas, a produção deve começar nos próximos meses. "No ano que vem estaremos produzindo a vacina, mas a disposição da vacina para a população depende dos estudos clínicos", acrescentou. Essa vacina é uma grande aposta da saúde em nível mundial, uma vez que está sendo desenvolvida para prevenir os quatro subtipos do vírus da dengue (1,2,3 e 4), relatou a assessoria do instituto. A vacina deverá ser indicada para pessoas de 2 a 59 anos de idade, com eficácia também em pessoas que não tiveram a doença anteriormente.

Tão logo essa fase seja concluída, o instituto pedirá registro à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), para que ela possa ser disponibilizada à população. De acordo com informação do Instituto Butantan, a Fase 3 do estudo clínico foi iniciada em 2016 e ocorre em 14 centros de pesquisa clínica, distribuídos nas cinco regiões do país. Cerca de 17 mil voluntários participam dos testes.

"Esse é um fato inédito na vida das instituições brasileiras, que têm fortes raízes científicas e acadêmicas. Esse acordo representa uma interação entre o setor público e o privado que trará muitos benefícios no futuro", destacou o presidente global de vacinas da MSD, Mike Nally.

Além dos investimentos da MSD, a produção da vacina tetravalente contra a dengue também conta com investimentos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) e do Ministério da Saúde. "Até o momento foram investidos mais de R$ 120 milhões entre BNDES e Ministério da Saúde, podendo chegar a R $ 300 milhões ao final do projeto", disse Covas.


VÍRUS
O vírus da dengue é uma das principais causas de doença e morte nas regiões tropicais e subtropicais do mundo, informou o Instituto Butantan. A doença é considerada endêmica em pelo menos 100 países da Ásia, Pacífico, Américas, África e Caribe. Cerca de 2,5 bilhões de pessoas, ou o equivalente a 40% da população mundial, vivem em áreas onde há risco de transmissão da dengue. A estimativa da Organização Mundial da Saúde é que entre 50 milhões a 100 milhões de infecções sintomáticas ocorrem a cada ano no mundo, resultando em até 20 mil mortes, principalmente entre crianças. O Brasil é considerado um dos países mais afetados pela doença, com milhões de casos nos últimos 10 anos. (Com Agência Brasil)

* A repórter viajou a convite da MSD

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