São Paulo, 23 (AE) - Começaram hoje as comemorações do centenário do Instituto Butantã, um dos principais pontos turísticos da cidade. Os 100 anos serão completados em fevereiro de 2001, mas a direção resolveu fazer um esforço de marketing por um ano para divulgar as ações do instituto, sempre às voltas com crises financeiras. Hoje foi entregue a reforma do serpentário, do Museu Biológico e do Museu de Rua, bancada em grande parte por empresas privadas.
O centenário marca uma história iniciada pelo cientista Vital Brasil, sobre quem o jornalista Samuel Wainer disse: "Se tivesse nascido em Paris seria um (Louis) Pasteur." O instituto nasceu para combater a peste bubônica em Santos. Tornou-se referência na pesquisa científica na produção de soros antiofídicos e vacinas. Somente para um curso de aprimoramento sobre animais peçonhentos, em março, se inscreveram 28 pesquisadores estrangeiros.
Cerca de 15 mil pessoas visitam o Museu Biológico todo o mês. A reforma custou R$ 30 mil, bancada pela Fundação Butantã. A reforma do serpentário custou R$ 280 mil. Foi pagar por uma construtora, que captou recursos com várias outras empresas. A inauguração, hoje, teve a presença do secretário de Estado da Saúde, José da Silva Guedes.
Segundo o diretor do Museu Biológico, Giuseppe Puorto, o serpentário - principal atração turística - foi remodelado para reproduzir melhor o ambiente em que vivia cada tipo de cobra. Em um dos cantos do espaço de 150 metros quadrados ficaram os animais da mata, como as jararacas. Em outro, as do cerrado, como as cascavéis. Na parte central, as cobras não peçonhentas. "O objetivo principal é que elas alcancem uma sobrevida maior e tenham ambientação para reprodução", explica Puorto.
A diretora do instituto, Hisako Gondo Higashi, diz que é preciso divulgar as demais facetas do Butantã, um dos 16 institutos de pesquisa do governo estadual. "O povo o conhece como lugar que tem serpentes, não a parte social que ele representa, como centro de pesquisas." Ela lembra que a campanha de vacinação de idosos do ano passado, contra difteria e tétano, teve as 34 milhões de doses produzidas no instituto. "Este ano sairá daqui a vacina para a campanha da gripe."
Terra firme - O nome Butantan, que deu origem ao instituto e ao bairro da zona oeste, significa "terra firme-firme", em tupi. O local onde foi construído o instituto era uma fazenda. A primeira dose de soro antiofídico, em 1902, foi para o ex-senador Peixoto Gomide, ex-vice-presidente de São Paulo. No início do século eram cerca de 3 mil casos por ano no Estado, que então tinha 2,3 milhões de habitantes.
Em 1935, o pesquisador José Lemos Monteiro buscava um antídoto para o vírus da febre macelosa, que vinha provocando várias mortes em São Paulo. Quando chegava perto da solução, contraiu a doença e morreu. Pouco tempo depois o mesmo ocorreu com seu auxiliar. Seu filho, Elias Lemos Monteiro, continou a pesquisa e descobriu a cura.
Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, o instituto atingiu seu recorde de produção de soro antitetânico. Era uma forma de apoiar o exército paulista, que ganhou defesa contra tétano, disenterias e infecções típicas dos combates. O Butantã também forneceu medicamentos para os pracinhas brasileiros da Segunda Guerra Mundial.
O Instituto Butantã funciona todos os dias, das 8 às 17 horas. O Museu Biológico funciona de terça a domingo, das 9 às 16h30.

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