Instituto Butantã inaugura amanhã 4 laboratórios
São Paulo, 24 (AE) - O Instituto Butantã inaugura amanhã (26) quatro laboratórios. Com as novas unidades e a reconstrução e ampliação das instalações existentes, o Brasil dá um passo definitivo para a auto-suficiência na produção de vacinas, segundo declarações do presidente da Fundação Butantã, Isaías Raw. A expectativa é a de que o País passe a exportar, em breve, os excedentes produzidos, o que poderá criar renda para aumentar as pesquisas nacionais na área de imunologia. O instituto vai fabricar, entre outros, imunizantes contra a gripe e a meningite do tipo B. O valor total da construção dos quatro laboratórios e das reformas em execução está estimado em US$ 10 milhões. Parte da verba está prevista no orçamento do instituto. O restante será coberto pela Fundação Butantã. "Esses investimentos fazem parte de um esforço para resolver problemas em que a iniciativa privada não tem interesse", disse Raw. O presidente da fundação cita como exemplo o desenvolvimento de vacinas para doenças típicas de países pobres, como a esquistossomose e a malária.
Nos novos laboratórios, será produzida a vacina contra a meningite do tipo B, desenvolvida pelo próprio Butantã, em associação com o Instituto Adolfo Lutz e a Fundação Instituto Oswaldo Cruz. A vacina cubana, usada até agora na imunização durante epidemias localizadas, não funciona bem em crianças de até 2 anos - período em que a doença é mais perigosa. O instituto também produzirá a toxina botulínica, usada no tratamento do botulismo (doença causada pela ingestão de alimentos contaminados, especialmente o palmito), o surfactante peitoral (espécie de detergente que facilita o funcionamento dos pulmões de bebês prematuros) e a eritropoietina (hormônio produzido pelos rins, usado em pacientes em tratamento de hemodiálise para evitar a morte por anemia).
Hoje, o Instituto Butantã é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) um dos laboratórios líderes no campo de vacinas. Conhecido pela produção de soros antiofídicos, atualmente, o Butantã fornece metade das vacinas usadas no Brasil. O restante é produzido por pequenos laboratórios ou importado.
Na mesma solenidade, será assinado um convênio entre o instituto e a empresa francesa Pasteur Mérieux Connaught, líder mundial no setor de imunização, para a transferência da tecnologia da vacina contra a gripe. Já em 2000, o Butantã produzirá o imunizante a partir de um imunizante pré-fabricado na França. Segundo o presidente da Fundação Butantã, com essa aquisição, será possível desenvolver em três ou quatro anos a tecnologia própria para a fabricação integral da vacina no Brasil. "Sem esse convênio poderíamos levar uma década para desenvolvê-la", afirmou Raw. Nessa parceria com a Pasteur, o Ministério da Saúde investirá US$ 16,4 milhões e o Instituto Butantã, mais US$ 4 milhões.





