Instituições reclamam de comparações e apontam injustiças
Brasília, 12 (AE) - Várias instituições cujos cursos correm o risco de ser fechados pelo Ministério da Educação (MEC) consideram-se injustiçadas. "O MEC compara cursos de São Paulo com os das escolas do Norte do País, o que não pode ser feito", afirmou o reitor da Universidade Federal de Rondônia, Ene Glória de Silveira.
No caso da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), porém, o curso de administração do campus de Caicó, que corre o risco de ser fechado, já foi desativado há quatro anos e conta apenas com os estudantes que ingressaram antes de 1995. "O último vestibular ocorreu em 1994", revelou o reitor da UFRN, José Ivonildo do Rêgo. Segundo ele, o equívoco do MEC se deve, em parte, ao fato de a universidade não ter informado sobre o fechamento do curso.
Mas isso não explica por que a comissão de especialistas do ministério que visitou a instituição no ano passado, para fazer a Avaliação das Condições de Oferta, não constatou o fato. "Se é assim, a reavaliação não vai ser feita", afirmou o secretário de Educação Superior do MEC, Abílio Baeta Neves.
Outro equívoco pode ter ocorrido na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), que teve incluído na lista do MEC o curso de Direito oferecido no campus de São José dos Pinhais. De acordo com o direitor-geral do campus, Sérgio Pereira Lobo, não há motivos para reavaliar o curso e cogitar a possibilidade de cancelar seu funcionamento.
Isso porque o direito da PUC-PR em São José dos Pinhais obteve o conceito C no Provão do ano passado e, na Avaliação das Condições de Oferta, segundo Lobo, ficou com A no item referente às instalações físicas, B na qualificação docente e B no projeto didático-pedagógico. "A situação não é ótima, mas está na média", afirmou o diretor-geral.
Já o reitor Silveira atribuiu as notas baixas da federal de Rondônia à falta de docentes com doutorado e mestrado. "Aqui
quase no meio da floresta, não temos a mesma disponibilidade que as escolas do Sul para ter mestres e doutores", alegou ele, que considera responsabilidade do MEC o investimento na formação de doutores nas regiões menos desenvolvidas. "Além disso, vivo brigando pela falta de dinheiro para investir em infra-estrutura", disse Silveira.
O reitor da Universidade de Federal de Alagoas, Rogério Moura Pinheiro, fez coro com os descontentes. "Se o governo me desse dinheiro, montaria o melhor laboratório", afirmou. O reitor garantiu ainda que o curso de direito da universidade é bom, mas os alunos tiraram conceitos baixos no Provão porque boicotaram o exame: entregavam em branco ou deixavam de fazer a segunda parte do teste.





