Brasília. 12 (AE) - Várias instituições cujos cursos receberam classificação negativa do Ministério da Educação consideram-se injustiçadas e não estão dispostas a enfrentar comodamente o risco de um eventual fechamento. "O MEC compara cursos de São Paulo com os das escolas do Norte do País, o que não pode ser feito", afirmou o reitor da Universidade Federal de Rondônia, Ene Glória de Silveira.
Silveira disse que seu curso de Direito recebeu notas baixas do Exame Nacional de Cursos, o "provão" porque não tem docentes com doutorado e mestrado. "Aqui, quase no meio da floresta, não temos a mesma disponibilidade que as escolas do Sul para ter mestres e doutores", alegou.
Segundo o secretário de Ensino Superior do MEC, Abílio Baeta Neves, a renovação do reconhecimento dos cursos não leva em conta apenas os resultados do Provão, mas também os relatórios das comissões que analisam as condições de oferta dos cursos, considerando a disponibilidade de livros, qualidade dos laboratórios e até do corpo docente.
Mas o reitor da UFR diz que caberia ao MEC incentivar a formação de mestres e doutores para instituições instaladas em regiões menos favorecidas."Além disso, vivo brigando pela falta de dinheiro para investir em infra-estrutura", disse Ene Silveira. O reitor explicou que na próxima visita da comissão de especialistas do MEC reivindicará planos específicos para a região.
O reitor da Universidade de Federal de Alagoas, Rogério Moura Pinheiro, fez coro com os descontentes."Se o governo me desse dinheiro, montaria o melhor laboratório", afirmou, acrescentando que também contrataria os melhores professores se tivesse condições. Ele informa que, no ano passado, metade dos professores dos cursos de Administração, Direito e Engenharia Civil - todos ameaçados de serem fechados pelo MEC - eram substitutos porque o governo proibiu contratações. O reitor garante ainda que o curso de Direito da universidade é bom, mas que os alunos tiraram conceitos baixos no provão porque boicotaram o exame: entregavam em branco ou deixavam de fazer a segunda parte do teste. Ele conta ainda que a comissão de especialistas classificou o curso entre os quatro melhores dos visitados.
Pinheiro defende também o curso de Engenharia Civil, alegando que seus alunos foram os primeiros classificados no mestrado das universidades de São Carlos e a federal do Rio Grande do Sul.
A pró-reitora de graduação da Universidade Federal de Goiás, Iara Barreto, tenta reduzir o impacto negativo de inclusão de dois cursos oferecidos pela instituição na lista dos 101 que sofrerão reavaliação."Não há alarme, o recredenciamento já estava previsto pelo governo em relação a todos os cursos", afirmou. Ela apóia a iniciativa do governo, dizendo que cursos fracos precisam realmente ser questionados. Para ela, há outro lado da moeda dessa reavaliação. "Quem for recredenciado contará com a proteção do órgão de fomento que é o governo federal", acredita . Baseada nessa tese ela aposta que ficará mais fácil reivindicar ajuda para equipar laboratórios que tenham recebido conceito insuficiente pela comissão de especialistas. Iara conta que o curso de Direito teve conceito E em 1996, B em 1997 e C, ano passado .Segundo ela, houve abstenção de 80% dos alunos no primeiro ano do exame.
O pró-reitor de Gradução da PUC de Minas Gerais, Miguel Alonso Gouvea Valle, também considerou prematura a inclusão do curso de Direito na lista do MEC. Segundo ele, a comissão de especialistas esteve ano passado na faculdade e fez uma série de recomendações para mudança da organização didática-pedagógica do curso . "Estamos providenciando uma revisão do currículo", disse. Mas avisou que a instituição espera ainda cópia das diretrizes curriculares do MEC para o curso para concluir o trabalho. E disse que a infra-estruruta insuficiente está sendo resolvida com empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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