Instituições culpam mídia por jovem infrator
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terça-feira, 27 de março de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A situação de abandono dos adolescentes que se envolvem com o crime organizado chamou a atenção dos integrantes do primeiro e segundo escalões do governo do Estado que estiveram reunidos ontem na reunião semanal do secretariado. Capitaneado pela palestra da professora Olgária Chain Feres Matos, titular e doutora do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), o encontro acabou debatendo temas como o abandono dos jovens - que a cada dia morrem por conta da violência interna.
Olgária culpou a mídia pelo descaso ocorrido muitas vezes na sociedade. ''Existe um debate sobre questões que viram espetáculo na mídia, como grandes assassinatos envolvendo adolescentes. Isso faz com que se reflita sobre a redução da maioridade penal. Mas há que se discutir outros pontos que são esquecidos como os motivos da violência interna'', ponderou a professora.
O raciocínio foi seguido à risca pela presidente do Instituto de Ação Social do Paraná (IASP), Thelma Alves de Oliveira. ''A mídia destrói valores e constrói ignorâncias. Enquanto isso, milhares e milhares de crianças e adolescentes são mortos por conta do tráfico e ninguém fala sobre isso. Os pais não sabem o que fazer com os seus filhos. Nem com os outros filhos. A violência está aí, motivada pela exclusão e pela condenação prévia da juventude com discussão de valores como a redução da maioridade penal. Quando a discussão deveria ser outra'', reclamou a educadora, que trabalha com adolescentes infratores e acredita na punição estabelecida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
''A educação não faz milagre. Mas sem educação, não há milagres. Os jovens mortos pelo tráfico são quase analfabetos. Muitos não têm família. Noventa por cento deles são usuários de drogas e precisam trabalhar para o tráfico para sustentar o vício. Temos que começar a olhar para estes adolescentes com o olhar de educador. Assim poderemos procurar soluções para a resolução do conflito'', disse Thelma.
Para ela, o adolescente é mais vítima da violência do que promotor de infrações. ''Os motivos para que eles sejam vítimas são vários. Vão desde a exclusão social e a ineficiência das políticas públicas até a desresponsabilização das famílias e a crise atual de valores éticos e morais que a sociedade enfrenta'', analisou ela.
Thelma acredita que os mecanismos de denúncia contra crianças e adolescentes devem ser aprimorados para evitar ainda mais a criminalização prévia. ''Temos que ter mais programas de educação para valer. Integrais. Com contraturnos nas escolas, acesso à educação. Temos que instituir uma proteção para a criança e responsabilização de todos os que fazem com que os valores sociais sejam perdidos. As estruturas precisam melhorar. A visão social precisa mudar. Somente assim, vamos fazer frente à violência. É fácil generalizar, condenar, prender o adolescente. Mas isso não resolve o problema. Daqui a pouco teremos triplicados os números de vagas para internamento de adolescentes e nada vai acontecer. Temos que ter relações mais humanas entre nós. E a base de tudo é a educação. Sem o excesso de repressão'', criticou.
Generalizar,
condenar e
prender o
adolescente
não resolve
o problema
As estruturas
precisam melhorar.
A visão social
precisa mudar


