Instituição pode solicitar recursos para reformas
Londrina - Carla Mauch, coordenadora geral da oscip Mais Diferenças, avalia que o menor número de matrículas nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio não pode ser usado como indicativo de evasão. "A Política Nacional de Inclusão data de 2007, ou seja, é muito recente. As crianças que entraram na escola depois disso estão chegando agora à adolescência", afirma.
Para ela, o desafio está exatamente na possibilidade de aumento na demanda por uma educação inclusiva nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. "Será preciso investir em estrutura de acessibilidade e formação de professores aptos a lidarem com estes alunos", defende Carla, ressaltando a necessidade de investir também em tecnologias que ajudem os estudantes com deficiência a permanecerem na escola. "É importante garantir a equiparação de oportunidades", acrescenta.
Macaé Evaristo, secretária da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) do Ministério da Educação, afirma que o órgão trabalha para garantir o acesso, a permanência e a aprendizagem de estudantes com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na educação básica e também na educação superior. "Temos mais de 800 mil estudantes atendidos", diz.
Para garantir a permanência, o ministério investe em várias frentes. Uma delas são as salas de recursos multifuncionais, disponíveis para estudantes de todos os níveis. "São 42 mil salas em todo o Brasil", informa.
Através do Programa Dinheiro na Escola, a própria instituição de ensino pode solicitar recursos para reformas que viabilizem a acessibilidade de alunos com deficiência, como rampas, alargamento de portas, piso tátil e instalação de barras. O programa para aquisição de veículos para transporte escolar acessível disponibiliza 1366 carros em 994 municípios. "A prioridade é atender municípios que tenham número significativo de pessoas em idade escolar com deficiência, que recebam benefícios, mas não estão na escola", explica.
Dados do Censo Escolar de 2012 indicam que, até 2007, 296 mil pessoas com deficiência que recebiam benefícios estavam fora da escola e 78 mil estavam matriculadas. Cinco anos depois, havia 329 mil matriculados na escola e 140 mil fora das instituições de ensino.
O Ministério, conforme Macaé, preocupa-se também com a formação de professores para atendimento desta parcela da população. Atualmente, há oferta de 98,5 mil vagas para professores em cursos de especialização e aperfeiçoamento em educação inclusiva e a graduação em Letras na modalidade Libras, disponível em 13 universidades. (C.A.)





