''A Polícia Civil passa por um processo de sucateamento assustador,'' analisa o sociólogo Pedro Vodé, coordenador do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ele comenta que a instituição se ressente de maior força política e que a comparação com a Polícia Militar a deixa ainda mais fragilizada.
Vodé observa que as polícias Militar e Civil, teoricamente forças complementares, passaram a atuar de forma competitiva, concorrente. ''Isso é um problema sério, porque esse tipo de organização em nível estadual abre espaço para a perda de recursos, para investimentos de forma dupla, para a perda de agilidade administrativa. Ou seja, tudo aquilo que uma moderna organização deveria ter'', pontua. Para ele, as duas forças deveriam ser reunidas em uma só, da mesma forma que acontece na esfera federal com a Polícia Federal.
Ele diz ainda que, na comparação, a Polícia Militar parece ter muito mais força política do que a Civil. De outra forma, a disciplina militar facilita o controle da tropa, o que possibilita um maior controle do servidor militar em relação ao civil. ''É uma forma de exploração dos governos dessa condição do militar, que é muito mais passível de ser submetido como trabalhador do que o civil. O efeito que isso produz é que, na ponta, a política se torna mais militarizada e atua com mais violência. É um processo que quer enfraquecer a Polícia Civil.'' Apesar disso, o professor valoriza que a Polícia Civil do Paraná tem méritos, por exemplo quando se avalia o trabalho do Grupo Tigre, que atua nos casos de sequestro.
O coordenador afirma que as perspectivas futuras, no entanto, são pouco animadoras. Segundo ele, os principais candidatos ao Governo do Estado repetem o que já existe sem promover mudanças estruturais. (L.A.)

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