Londrina - ''No dia 4 de setembro de 2009, na Clínica Psiquiátrica de Londrina - CPL, localizada na Avenida Universo, 92, Jardim Shangri-lá, a paciente Deisi Maria Maistrovicz, que lá se encontrava internada desde o dia 27 de julho de 2009, para tratamento de sua doença psiquiátrica, em circunstâncias não esclarecidas e em horário não definido (próximo das 19 horas), sofreu agressões, por ação contundente, de uma pessoa não identificada, tendo sido acionada a equipe do Samu, que constatou a vítima com traumatismo cranioencefálico, múltiplos hematomas, com secreção e sangue em cavidade oral, estando ela desacordada; sendo encaminhada ao Hospital Universitário de Londrina....A vítima Deisi, após sofrer parada cardiorrespiratória, acabou vindo a óbito em data 7 de setembro de 2009, quando ainda internada no HU, tendo como causas da sua morte lesões encefálicas, traumatismo cranioencefálico, ação contundente, agressão física.''
Este é um trecho da denúncia que o Ministério Público entregou em julho à 3 Vara Criminal contra os donos da Clínica Psiquiátrica de Londrina e Villa Normanda. Faz dois anos que Deisi morreu, conforme a denúncia, por falta de pessoal, recursos humanos, que garantissem a segurança dos internos no local.
Em 31 de janeiro de 2010, o paciente Dorival Jesuino da Silva, 59, morreu após ter sido supostamente agredido por outro interno. Ainda assim, a CPL ainda não conta com pessoal suficiente para funcionar de forma adequada, de acordo com o Ministério Público.
Segundo a Promotoria de Defesa da Saúde Pública de Londrina, que entrou com uma ação cível contra a CPL e a Villa Normanda, uma fiscalização da Diretoria de Avaliação Controle e Auditoria (Daca) da Secretaria Municipal de Sáude constatou em maio que apenas 41 auxiliares de enfermagem trabalhavam à época na CPL, metade do previsto pelo Programa Nacional de Avaliação dos Serviços Hospitalares (PNASH), do Ministério da Saúde.
A liminar que define os parâmetros para que a CPL se adeque foi concedida em outubro de 2010. No entanto, em fevereiro a clínica conseguiu uma prorrogação de 120 dias no prazo. O período estendido venceu em junho e ainda não foram comprovadas as adequações. Além da falta de profissionais, o MP constatou problemas na qualidade da alimentação, falta de projetos terapêuticos e de condições higiênicas.
Segundo o promotor Paulo Tavares, fiscalização da Daca realizada em 30 de junho constatou uma melhora no atendimento no local em relação à limpeza, organização do ambiente, qualidade e quantidade de refeições, entre outros itens.
A reportagem buscou contato diversas vezes com a diretoria da Daca, responsável pela fiscalização, mas não obteve retorno. O representante dos usuários no Conselho Municipal de Saúde é Paulo Fernando de Moraes Nicolau, diretor das clínicas denunciadas pelo MP.(D.B.)

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