O ataque dos índios corubos a um grupo de funcionários da Funai na reserva indígena Vale do Javari (oeste do Amazonas) pode ter sido por ‘‘instinto de revolta’’ dos índios, disse o sertanista Sydney Possuelo, diretor do Departamento de Índios Isolados da Funai. O auxiliar de sertanista Raimundo Batista Magalhães foi morto a pauladas pelos índios na última sexta.
O ataque surpreendeu Possuelo, um dos primeiros a manter contato com a tribo. Ele vai hoje para a região onde fica o posto flutuante da Funai, onde vai tentar apurar o motivo do ataque. Até ontem, o sertanista não havia conseguido transporte para levá-lo à região da reserva.
‘‘Desde nosso primeiro contato com esse grupo, há dez meses, eles já nos visitaram umas 30 vezes no posto da Funai, sempre sem nenhum incidente’’. Para Possuelo, a revolta repentina e sem motivo aparente dos índios pode estar ligada ao instinto desenvolvido pela desconfiança generalizada dos corubos aos não-índios, acumulada em conflitos com madeireiros na região. ‘‘Eles já foram vítimas de muitos massacres. Podem ter feito o ataque como vingança, na visão deles, a algum conflito recente.’
Segundo os funcionários que a Funai mantém na sua unidade flutuante no rio Ituí (próximo a Atalaia do Norte, perto das fronteiras com o Peru e a Colômbia), os índios, como era de costume, apareceram na margem do rio do lado oposto ao que os funcionários estavam. Quatro funcionários atravessaram o rio num barco para levar objetos e frutas para os índios. Três deles desceram do barco e, ao se aproximar dos índios, foram atacados.
O funcionário que permaneceu no barco pegou uma espingarda, deu um tiro para o alto e os índios correram para a mata. ‘‘Se não fosse o tiro, eles provavelmente teriam matado todos os funcionários’’, disse Possuelo. O corpo de Magalhães, funcionário da Funai havia cerca de 20 anos, foi enterrado ontem em Altamira (PA). Ele levou três golpes de porrete de madeira na cabeça.
O grupo com o qual a Funai vinha mantendo contato é composto por 23 índios. Eles são conhecidos por ‘‘caceteiros’’ por utilizar porretes de madeira de lei como armas.

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