Instalado grupo de trabalho para estudar projeto de transposição de rio
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de fevereiro de 2000
Por Liege Albuquerque 
Brasília, 03 (AE) - Foi instalado hoje na Câmara um grupo de trabalho para discutir a transposição das águas do rio São Francisco. O projeto é uma das prioridades, ainda no papel, do Plano Plurianual (PPA), lançado em agosto do ano passado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O grupo foi instalado com a presença do colégio de líderes da Casa, encabeçado pelo presidente, deputado Michel Temer (PMDB-SP). Um dos mais ferrenhos opositores do projeto é o presidente do Senado, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).
O projeto, que visa a desviar o curso do rio para áreas do semi-árido nordestino, deverá custar cerca de R$ 3 bilhões ao governo federal, de acordo com o ministro da Integração Nacional
Fernando Bezerra. "Precisamos colocar essa discussão para a sociedade, e o melhor lugar para começar isso é na Câmara", disse o ministro, que esteve presente à abertura dos trabalhos do grupo. "Sem a transposição, em poucos anos a falta de água vai justificar grandes êxodos para as metrópoles."
Na semana passada, em jantar no Palácio da Alvorada, convocado pelo presidente Fernando Henrique para apaziguar os ânimos entre Bezerra e o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), em torno do controle dos fundos constitucionais do Nordeste, o assunto transposição do São Francisco foi um dos temas. Bezerra e o próprio presidente teriam pedido ao governador da Bahia, César Borges (PFL), que também participou do jantar, para que tentasse convencer ACM da obra. Borges, contudo, teria se declarado constrangido por também ser contrário ao projeto.
Há R$ 40 milhões já garantidos pelo Orçamento deste ano para o projeto. Na comissão do Orçamento, houve ameaças do deputado José Lourenço (PFL-BA) de apresentar destaque para não destinar a verba para a área. De acordo com o presidente do grupo de trabalho, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), só falta "vontade política" para que a obra vire realidade.
"O projeto está no papel, há estudos ambientais, há dinheiro: só falta acordo político", disse Alves. Segundo ele, o governo federal gastou R$ 3 bilhões ano passado para resolver problemas emergenciais na seca do Nordeste. "A quantia exata para acabar com a seca em definitivo", defendeu Alves.
De acordo com o presidente do grupo, serão convidados defensores e opositores à obra para palestrar. "O presidente do Senado será certamente convidado a vir falar com o grupo e justificar sua posição, junto com os governadores dos Estados que seriam beneficiados e os supostamente prejudicados com o projeto", contou Alves.
O relator escolhido foi o deputado Marcondes Gadelha (PFL-PB). O grupo terá 90 dias para apresentar um texto com as soluções apontadas.
Há 76 componentes no grupo que, segundo Alves, está bem dividido entre opositores e defensores do projeto. Os parlamentares do Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba defendem o projeto. A obra leva água para estes Estados.
Já os parlamentares da Bahia, Minas Gerais, Sergipe e Alagoas são contra o projeto. Para eles - cuja voz mais influente é de ACM - o rio não tem vazão (água) suficiente para fazer a transposição para tantos lugares. Há grupos que defendem que o rio Tocantins, que também corta alguns Estados nordestinos
também tenha um projeto de transposição, enquanto o rio São Francisco fosse revitalizado.


