São Paulo, 14 (AE) - A CPI do Narcotráfico na Assembléia Legislativa de São Paulo vai pedir amanhã (15) - na votação do orçamento para o ano que vem - ampliação da verba destinada ao Programa de Proteção à Testemunhas do governo estadual. A iniciativa faz parte do pacote de primeiras medidas da CPI, instalada hoje. O pacote inclui a criação de um serviço gratuito de disque-denúncia, a exemplo do criado pela CPI do Narcotráfico no Congresso e o recolhimento de informações já apuradas pelos deputados federais do Ministério Público e Policias Civil e Militar para as investigações em São Paulo.
O aumento da verba do Programa de Proteção a Testemunhas é tido pelos deputados paulistas como condição fundamental para a atuação da CPI. "A receita prevista no projeto enviado pelo Executivo é de apenas R$ 38 mil; vamos tentar aumentar esse valor para R$ 200 mil a R$ 300 mil", disse o presidente da CPI, Dimas Ramalho (PPS), eleito hoje. "Isso pode ser feito por meio de uma votação de uma emenda amanhã."
A comissão nomeou hoje os titulares das quatro relatorias da CPI, a serem definidas por região do Estado ou tema investigado, como roubo de cargas e assassinatos ligados ao narcotráfico. Os relatores escolhidos são autores dos pedidos de criação de CPI relacionados ao crime organizado, que foram substituídos pelo acordo de líderes que permitiu a aprovação da CPI do Narcotráfico no modelo atual. Esta foi uma das maneiras encontradas para contornar a disputa política em torno da "paternidade" da comissão.
Foram nomeados relatores os deputados Celso Tanaui (PTB), Renato Simões (PT), Rosmary Corrêa (PMDB) e Carlos Sampaio (PSDB). O deputado Elói Pietá, líder do PT na Assembléia, foi eleito vice-presidente da comissão.
Doação - O relator Carlos Sampaio foi citado no depoimento do empresário Alexandre Negrão à CPI federal nas investigações realizadas em Campinas. Negrão foi indiciado por sonegação fiscal e evasão de divisas. A CPI apura suspeitas de que o empresário teria lavado cerca de US$ 2 milhões. Durante seu depoimento, Negrão afirmou ter feito doações para as campanhas políticas de Sampaio, do vereador Roberto Mingone e de Jurandir Fernandes. Há cerca de um ano e meio Sampaio recebeu US$ 10 mil da Medley Indústria Farmacêutica. "Na época eu emiti bônus eleitorais e declarei a doação ao TRE", afirmou o deputado. "Estou tranquilo sobre isso, mas é claro que não estou feliz; se eu soubesse que um dos sócios da empresa poderia estar envolvido em alguma contravenção, não teria feito a doação." Sampaio é de Campinas e atua como promotor do Ministério Público há 13 anos. "A doação foi legal, não podemos fazer qualquer pre-julgamento em função disso", declarou o presidente da CPI. "Isso não interfere na nossa atuação."
A Assembléia deve entrar em recesso até o fim da semana, mas as investigações vão continuar. A CPI terá 120 dias para atuar, contados a partir de hoje, mas o prazo pode ser prorrogado.

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