O vice-presidente Marco Maciel (PFL) afirmou durante a semana, em Recife (PE), que o reator nuclear a ser instalado na área urbana da cidade ‘‘nunca terá condições de gerar danos’’, por se tratar de uma unidade de ‘‘baixa potência’’.
‘‘Confundir reator de pesquisa com usina nuclear é confundir energia elétrica com cadeira elétrica’’, afirmou, após lançar o edital de concorrência para a construção da primeira etapa do centro que abrigará o reator.
O equipamento, destinado às pesquisas no setor e à produção de radioisótopos para uso médico e industrial, deverá ser instalado no câmpus da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) entre 2004 e 2006.
Segundo o ex-secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente e professor da UFPE, Sérgio Machado Rezende, a localização contraria recomendação da Agência Internacional de Energia Atômica.
A Universidade Federal de Pernambuco está situada na rota de aviões que utilizam o aeroporto internacional dos Guararapes e às margens da BR-101, uma das rodovias de maior tráfego no Estado.
A obra, que vai custar cerca de US$ 200 milhões (aproximadamente R$ 360 milhões), está sendo fiscalizada pela Procuradoria da República no Estado, que instaurou procedimento administrativo em 2 de junho último.
Apesar de já estar em fase de licitação, ainda não foram concluídos os estudos de impacto ambiental. Segundo o ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, isso ainda não ocorreu porque, no momento, o que está sendo preparada é a construção de um ‘‘centro de serviço’’.
‘‘Isso é o que existe de concreto’’, afirmou. ‘‘Há planos para a instalação de um reator, mas eles ainda não foram desenhados’’, disse. ‘‘Vamos fazer uma etapa de cada vez e, em cada etapa, vamos avaliar os problemas que possam existir’’, declarou.
Sardenberg afirmou também que ‘‘não adianta resolver agora coisas que só vão ser colocadas daqui a dois anos’’. No futuro, disse o ministro, ‘‘se houver risco, será tratado como risco’’.
O reator de Recife terá potência de 5 a 20 megawatts. A usina nuclear de Angra 2 tem 1.300 megawatts. O equipamento a ser instalado em Pernambuco não será destinado à produção de energia, como Angra 2.
Segundo o coordenador técnico do projeto, Alfredo Tranjan Filho, há cinco reatores similares no país, ‘‘todos em universidades’’, incluindo a USP (Universidade de São Paulo) – reator de 5 megawatts. Os equipamentos, disse, não produzem rejeitos radiativos e ‘‘não são perigosos’’.
Apesar das explicações, a Associação de Moradores do Engenho do Meio, bairro localizado na área onde será instalado o Centro Regional de Ciências Nucleares, protestou ontem contra a obra.
A entidade colocou três faixas na BR-101, por onde passariam o vice-presidente e o ministro Sardenberg, com a inscrição: ‘‘Centro nuclear, aqui não’’.

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