Instabilidade reduz em até 30% procura por crédito direto
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Por Denize Bacoccina e Vera Dantas 
São Paulo, 09 (AE) - O aumento dos juros e a incerteza sobre o futuro da economia derrubaram a procura por crédito no comércio. A Serveloj, administradora de contratos de crédito direto ao consumidor (CDC), teve em janeiro uma queda de 25% a 30% na procura por financiamentos em relação a janeiro do ano passado. "Está todo mundo com o pé atrás diante de um cenário ainda indefinido", diz o diretor financeiro da empresa, Dirceu Miranda.
Na financeira Losango, o movimento caiu cerca de 25% nos últimos dez dias. "O ritmo do crediário vinha muito bem em janeiro até a virada do câmbio, e depois houve uma retração muito forte", diz o diretor comercial, Leonel Andrade. Segundo ele, houve uma pequena melhora este mês, porque as pessoas estão com medo da volta da inflação e aproveitam para comprar agora.
Uma pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra que as taxas já subiram em média 13,58% em janeiro em relação a dezembro, passando de uma média de 8,25% para 9,37% ao mês. No comércio, os maiores aumentos ocorreram justamente nas taxas mais baixas, como as cobradas pelos bancos das montadoras (de 3 13% para 3,94%). No CDC, a taxa média passou de 8,20% para 8,25% ao mês. No crediário das lojas, os juros mensais aumentaram de 8 75% para 9,05%.
O presidente da Associação das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Manoel de Oliveira Franco
confirma que a procura por crédito diminuiu. "O aumento das taxas foi muito drástico e afugentou o consumidor", afirma.
A elevação foi mais expressiva, segundo ele, no financiamento de veículos, onde as taxas de juros subiram para 4 5% a 5,5% ao mês. Até o início de janeiro, variavam entre 2,8% a 3,5%. O prazo máximo também foi encurtado de 36 para 24 meses. "Poucos bancos se arriscaram a manter o prazo de 36 meses", afirma.
Nas grandes redes de lojas, que trabalham com crediário próprio, as taxas se mantiveram inalteradas com a crise cambial. "Com a queda nas vendas, resolvemos manter para não perder ainda mais", diz o diretor comercial das Lojas Cem, Natale Dalla Vecchia. Ele diz que a empresa oferece parcelamento em até 12 meses, mas os clientes preferem os prazos mais curtos, de quatro ou cinco prestações. "As pessoas estão com medo de se endividar", explica.
O Ponto Frio também não muda as taxas desde outubro. Os juros variam entre 5,4% e 8,9% ao mês, dependendo do prazo, que vai até 12 meses.


