São Paulo, 11 (AE) - A turbulência da bolsa eletrônica americana, Nasdaq, já está fazendo o governo brasileiro pagar mais na venda dos papéis federais. No leilão de hoje, o lote de R$ 2 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN), que são papéis prefixados, com prazo de vencimento em um ano, foi vendido por uma taxa média de 19,028% ao ano. Uma semana atrás, no tradicional leilão semanal realizado pelo Banco Central (BC), a LTN de mesmo vencimento foi vendida por 18,29% e, no dia 28 de março, a 18,21%. Isso quer dizer, que os juros de mercado começam a ser pressionados.
O mesmo ocorreu com o lote de R$ 2 bilhões em LTNs de seis meses vendido a uma taxa média de 19% ao ano hoje, e de 18 28% na semana passada, a terça-feira em que o Nasdaq despencou mais de 13%. Não houve alteração no deságio aceito pelo lote de R$ 3,5 bilhões em Letras Financeiras do Tesouro (0,01%). De acordo com profissionais do mercado, a excessiva volatilidade da bolsa americana vem justificando prêmios maiores e, na segunda-feira, os juros projetados no mercado futuro já antecipavam uma nova rodada de alta para hoje, que acabou por se confirmar.
Mesmo com a volatilidade do mercado de juros decorrente das oscilações da Nasdaq, o governo não pretende adiar o leilão de oferta firme de LTNs com prazo de dois anos previsto para este mês. Esses papéis estão fora do mercado desde 1997, quando a crise financeira internacional desencadeada pela ásia inviabilizou a venda de títulos prefixados.
Desde o ano passado, o governo trabalha para alongar o perfil da dívida mobiliária com títulos pré e no mês passado o Tesouro anunciou que retomaria a venda dos papéis de dois anos em abril. "O leilão continua no cronograma e na nossa pauta", garantiu o coordenador geral de administração da dívida pública do Tesouro Nacional, Paulo Valle. O governo, diz ele, "está pagando na curva e dentro do consenso de mercado, mas é fato que a taxa subiu".
Desde a turbulência da semana passada, a curva de juros refletida nas operações de swap (troca de ativos) passou a ter uma trajetória ascendente. Isso porque, avaliam operadores, correções seguidas na bolsa americana poderiam afetar os países latino-americanos, incluindo o Brasil, apesar dos bons fundamentos da nossa economia.
Para o diretor da Unibanco Asset Management, Jorge Simino, a correlação entre a bolsa americana e o Brasil não seria suficiente para afetar o resultado do leilão. A Tendências Consultoria vê justificativas para um realinhamento dos juros internos, como a revisão para cima das expectativas de inflação e o risco de impactos negativos dos preços administrados nos próximos meses.

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