Os funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de Cascavel decidiram ontem interromper a greve e retornar às atividades, após mais de 100 dias de paralisação. Apesar das principais reivindicações não terem sido atendidas pelo governo federal, os servidores preferiram deixar o comando de greve nacional continuar as negociações. A decisão ocorreu em assembléia realizada na última sexta-feira.

Para o delegado-regional do Sindicato dos Servidores da Previdência, Moacir Lopes, apesar dos pequenos avanços como promessa de reposição salarial de 9%, quando os servidores pediam 75%, a greve pode ser considerada histórica. ''Nunca ouvi falar de qualquer outra categoria trabalhista que tenha ficado tantos dias em greve sofrendo insistentes ataques do governo federal'', comentou.

Lopes disse que servidores que estão na ''linha de frente'' estão preparados para sofrer qualquer tipo de represália. Mas a maioria não possui a mesma experiência e acaba desistindo. ''A maioria dos funcionários nunca havia feito uma greve na vida. O importante foi que esse movimento fez cair a máscara do governo democrático mostrando seu lado autoritário'', afirmou.

A gerente-geral da agência do INSS em Cascavel, Vera Maria Gaspar, explicou que em virtude da paralisação os servidores terão que fazer escalas de plantão para encaminhar os 1.715 processos que estão parados aguardando a liberação. ''Mesmo durante a greve mais de 7 mil processos foram requeridos e encaminhados. Agora começam a ser liberadas as aposentadorias por tempo de contribuição e idade'', diz.

O gari Antônio Ribeiro das Neves, 65 anos, contou que durante o período de greve esteve várias vezes na agência do INSS para requerer sua aposentadoria. ''Até que enfim eles voltaram a atender. Eu preciso muito desse dinheiro porque com minha idade já não consigo trabalhar como antes. Tomara que agora seja rápido'', comentou, após esperar por quase duas horas na fila.

Os servidores das agências do INSS em Curitiba e Paranaguá devem continuar com os braços cruzados. Para hoje, a categoria promete realizar uma panfletagem nas portas das seis unidades dos dois municípios, explicando aos usuários porque continuam sem trabalhar. ''Os servidores não vão recuar, apesar das atitudes atabalhoadas do governo federal'', disse Hélio de Jesus, do Sindiprevs (sindicato que representa a categoria). ''O governo não vai conseguir contratar pessoal temporário com qualificação para substituir os empregados em greve'', avaliou.
Jesus afirmou que o sindicato deve se articular esta semana para reforçar o movimento nas cidades onde empregados retornaram ao trabalho. ''Vamos explicar para eles que depois de três meses não adianta voltar ao trabalho e desistir da luta no meio da briga.''(Com Israel Reinstein, de Curitiba)

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