Brasília - Depois de enfrentar reclamações e críticas de todos os lados, o Ministério da Previdência Social voltou atrás na decisão de bloquear o pagamento das aposentadorias e pensões dos segurados com mais de 90 anos de idade. A decisão, por ordem expressa do ministro da Previdência Social, Ricardo Berzoini, foi adotada no início da noite de ontem. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou que o pagamento poderá ser procurado pelos segurados na rede bancária a partir de segunda-feira.
Antes de tomar a decisão, Berzoini deixou o diretor de Benefícios do INSS, Benedito Adalberto Brunca, passar pelo constrangimento de defender a medida numa entrevista coletiva convocada pela Previdência Social em São Paulo. Brunca assina o memorando circular 29 do INSS, de 28 de outubro, que determinou o bloqueio. É dele também o memorando de número 31, assinado ontem, revogando na íntegra a decisão anterior.
De acordo com o novo memorando, ''oportunamente serão repassadas novas orientações acerca do recadastramento dos referidos segurados''. A desculpa do INSS para o bloqueio do pagamento dos velhinhos era a suspeita de fraude. A Força Tarefa da Previdência Social estimou que pelo menos 30 mil dos 105.892 benefícios bloqueados poderiam estar sendo pagos indevidamente.
Por falha dos cartórios ou mesmo esperteza dos familiares e procuradores, a morte do aposentado ou pensionista, que determinaria a cessação do pagamento do benefício, não seria comunicada ao INSS.
No Paraná há 6,1 mil beneficiários com mais de 90 anos. Somente em Curitiba são 2,7 mil. Aimo Perotti fez 90 anos em janeiro e está aposentado há 23 anos. Mesmo recebendo aposentadoria, ele continuava trabalhando como engenheiro mecânico e eletricista numa empresa de elevadores. ''Parei de trabalhar há dois meses'', contou. Perotti foi pego de surpresa com a notícia do bloqueio. ''Eu ainda não sabia. Nem fui informado'', comentou. No entanto, o aposentado concorda com a medida do governo federal. ''É um transtorno. Mas eu acho que o governo está certo. Tem muita gente que já morreu e outras pessoas recebem o benefício (indevidamente) por elas.'' (Colaborou Luciana Pombo)

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