A retomada integral do atendimento nos postos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Londrina ocorreu sem tumultos, na manhã de ontem. Como boa parte dos serviços prestados pelo instituto foi mantida durante os 77 dias da greve dos servidores, o movimento nas duas agências do município apresentou apenas um ligeiro aumento.
Usuários como a zeladora Maria Aparecida Veríssimo, 49 anos, não quiseram perder mais tempo. ''Vim à agência (da Rua Professor João Cândido) duas vezes durante a greve para remarcar uma perícia e não consegui atendimento, agora acho que vai dar. Não sei se essas paralisações adiantam muito porque os pobres nunca conseguem gritar com os grandões'', observou Maria Aparecida, afastada do serviço há dois anos por problemas de saúde.
Para atender a demanda reprimida pela greve, as agências de Londrina irão funcionar por duas horas a mais (das 8 às 16 horas), durante duas semanas. Posteriormente, deve avaliar a necessidade de prorrogar esse prazo, informou o gerente executivo do INSS em Londrina, Reinaldo Bruniera.
Segundo o gerente, os funcionários também irão trabalhar durante os três próximos sábados, mas somente para serviços internos. A estimativa é que os trabalhos sejam normalizados dentro de 40 a 50 dias.
''Comparamos estatísticas referentes ao período da greve com as de dois meses antes da paralisação e constatamos que a diferença no número de processos realizados foi muito pequena: apenas 1,2 mil. Isso ocorreu por causa da determinação do Ministério Público (MP) para que fossem mantidos os serviços essenciais'', destacou Bruniera.
Deixaram de ser atendidos, ao longo da greve, pedidos de aposentadoria por idade e tempo de contribuição, de revisão e recursos, além de certidões. O gerente pede que usuários com solicitações não urgentes aguardem ''um pouco mais'' para procurar as agências, até que o atendimento volte ao normal.
Os servidores que ainda não voltaram ao trabalho correm o risco de ficar sem salário este mês. Ontem, o presidente do instituto, Valdir Simão, explicou que as gerências executivas têm até hoje para informar ao sistema centralizado de folha de pagamento do governo a situação de cada funcionário.

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