INSS fará devassa nas contas da LBV
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domingo, 01 de abril de 2001
Agência Folha De Brasília 
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) fará uma devassa na contabilidade da Legião da Boa Vontade (LBV). Segundo o diretor de arrecadação do instituto, Valdir Simão, cinco funcionários do órgão promoverão uma auditoria contábil na entidade a partir de hoje.
Se o resultado desse trabalho comprovar irregularidades na instituição, o INSS pedirá ao Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) que não renove o certificado de filantropia da entidade, além de cancelar a isenção previdenciária da LBV. A auditoria deve durar 30 dias, na avaliação do diretor. Por esse motivo, é improvável que um possível pedido de cassação do certificado da LBV seja analisado na próxima reunião do CNAS, marcada para 16 e 17 de abril. Vou me reunir com os cinco auditores e acompanhar essa auditoria de perto. O trabalho vai ser feito na LBV e nas igrejas, disse Simão.
O prazo do certificado de filantropia da LBV venceu em dezembro do ano passado. Durante o processo de renovação, o CNAS verificou problemas nas informações prestadas pela filantrópica. O conselho pediu ao INSS que fiscalizasse a entidade por meio de ofício encaminhado ao órgão no dia 22 de fevereiro. Desde então, o pedido de renovação está suspenso até que a instituição seja fiscalizada.
Para pagar R$ 3 milhões que deve à Previdência, a LBV venderá imóveis. A negociação contará com a participação do INSS, pois a entidade não tem certidão negativa de débitos para fechar o negócio. O total do débito da empresa com o governo chega a R$ 29 milhões, mas a maior parte foi incluída no Refis (Programa de Recuperação Fiscal).
O INSS autorizará a venda, vinculando o resultado da operação ao pagamento da dívida. A previsão é que o negócio seja concretizado em um prazo de 15 dias.
Além da LBV, outras 25 entidades filantrópicas estão sendo investigadas pelo INSS. O órgão deverá pedir ao conselho que casse a maioria dos certificados dessas instituições. As filantrópicas investigadas fazem parte da lista das 200 maiores entidades que detêm esse certificado e que estão sendo fiscalizadas pelo INSS.
A Previdência decidiu verificar a situação dessas instituições porque a isenção previdenciária concedida a elas tem grande impacto nas contas públicas. Dos R$ 2 bilhões anuais de renúncia previdenciária, elas têm 67%.
Em Londrina, o gerente administrativo da LBV, Wilson Bigas, afirmou que a sede da entidade, em São Paulo, está preparando uma série de documentos provando que nenhum desvio ilegal de dinheiro foi feito por parte da entidade. A LBV tem de fato uma dívida com o INSS, que eu não sei dizer de quanto é. Mas esta dívida está sendo parcelada e paga de maneira legal, amparada por lei, informou Bigas.
Segundo o gerente, os números publicados até agora sobre os possíveis desvios são muito contraditórios e levam a crer que está ocorrendo perseguição por parte de alguns veículos de comunicação à entidade. Já se falou em R$ 8 milhões, R$ 3 milhões e, agora, em R$ 2 milhões. Tanto parece perseguição suja que não estão nos dando direito de resposta. A LBV, segundo Bigas, já teria entrado na Justiça para exigir direito de resposta do jornal O Globo. (Colaborou Silvana Leão, de Londrina)


