Brasília, 05 (AE) - Ao depor hoje à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado, o inspetor nomeador para acompanhar o inventário de Washington Nominato, Roberto Jorge Dino, não conseguiu se defender das acusações existentes no inquérito policial que investigou a dilapidação da herança do adolescente Luiz Gustavo Nominato. Ele insistiu que vinha sendo acusado injustamente e que, ao morrer, Washington, que adminsitrava suas empresas de forma caótica e temerária", só deixou dívidas. "Estou sendo vítima de uma farsa", disse ele no seu depoimento.
Dino confirmou que foi nomeado pelo ex-titular da Vara de àrfãos e Sucessões de Brasília, Asdrubal Vasquez Cruxên, hoje vice-presidente do Tribunal de Justiça do DF, como inspetor de Justiça, um cargo que não existia, para acompanhar o espólio. Receberia como pagamento 3% de todos os bens, que - de acordo com os advogados do herdeiro - somavam cerca de R$30 milhões. Dino acusou os advogados e a mãe do menor, Miramar da Silveira Rocha, de tomarem parte numa trama para responsabilizá-lo pelo desaparecimento dos bens de Nominato.
De acordo com o inquérito policial que investigou a dilapidação da herança, houve várias irregularidades no processo
"como apuração de haveres sem os devidos demonstrativos, por profissional qualificado e nomeado pelo juiz, prestação de contas de forma incompleta e sem comprovação de valores anexados ao processo, venda e cessão de empresas efetuadas sem um levamentamento patrimonial e econômico".
Também o Banco Central relacionou uma série de irregularidades na administração do principal bem do espólio, o Consórcio Itapemirim. De acordo com os auditores do BC, o consórcio bancou diversos pagamentos em nome de Washington Nominato, após sua morte, enquanto que os administradores teriam feitos retiradas de recursos ilegalmente. Os erros foram tanto que, há dois meses, o juiz de Direito da 2ª Vara Cível de Brasília, Esdras Neves, declarou nula a transferência do consórcio Itapemirim. A decisão foi considerada importante porque demonstrou a má-fé dos administradores, mas não tem efeito prático porque o grupo, que chegou a ser o segundo maior do País, foi liquidado pelo BC em 1996.

mockup