Inspetor leva choque durante vistoria em museu
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de março de 2012
Vítor Ogawa <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - O Museu de Arte e o Shopping Popular, conhecido como Camelódromo, ambos no Centro de Londrina, foram vistoriados ontem por membros do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR). Um dos problemas constatados no prédio público foi a precariedade das instalações elétricas. Um dos responsáveis pela inspeção levou um choque no museu ao encostar em um portão, onde estava encostado um cabo energizado.
O cabo em questão provavelmente era utilizado para alimentar o motor de um portão elétrico, equipamento que já não existe mais no local. O fio estava instalado precariamente e fora de qualquer duto específico para esse fim. Em outros pontos do imóvel também foram encontradas instalações elétricas improvisadas para alimentar holofotes e spots de iluminação.
Na parte interna do Museu de Arte também foram encontradas cabos de extensões de energia elétrica ligados a benjamins para alimentar a iluminação da exposição de obras de arte. Segundo o assessor do Museu de Arte de Londrina, Marcos Roberto Parisotto, não há como realizar muitas instalações elétricas porque o prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual e está em processo de tombamento pelo Instituto Nacional de Preservação do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Segundo o engenheiro Júlio Cotrin, inspetor do Crea, mesmo em prédios que foram tombados existem maneiras mais seguras de se fazer a instalação elétrica.
Além do problema das instalações elétricas, o cabo Alcides Américo informa que o local, a exemplo da Biblioteca Pública e do Teatro Zaqueu de Melo, estava com os extintores de incêndio vencidos. A diretora de Patrimônio Histórico e Artístico da Secretaria Municipal de Cultura, Vanda de Moraes, explicou que o problema foi similar ao que aconteceu nos prédios inspecionados no dia anterior. ''Foi um problema de licitação'', justificou. Ela garantiu que logo após o incêndio do Cine Teatro Ouro Verde realizou uma solicitação para averiguar a situação de todos os extintores de incêndio dos prédios ligados à Secretaria de Cultura, mas destacou que o processo de licitação é ''muito moroso''.
Além de problemas com as instalações elétricas e extintores de incêndio, foram constatados problemas pontuais como estruturas metálicas corroídas, vidros quebrados, pequenas fissuras em juntas de dilatação e infiltrações.
Segundo o presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal) e diretor do Crea, Nilton Capucho, esses problemas podem ser sanados com ''simples obras de manutenção''. ''Este prédio foi muito bem construído e está em melhores condições do que muitos outros que foram construídos na mesma época, mesmo tendo sido submetido a um movimento intenso dos usuários da rodoviária, tanto de pessoas como de ônibus'', avaliou.
A imprensa não foi autorizada a acompanhar a fiscalização no Camelódromo. Os engenheiros do Crea informaram que só se pronunciariam depois que o relatório da inspeção fosse divulgado. Segundo Júlio Cotrin, a inspeção no imóvel não verificou ''nada que necessitasse de intervenção imediata''. ''Constatamos coisas normais que já foram contatadas em outros locais que a gente inspecionou.''.
As vistorias foram acompanhadas por representantes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Ceal e Senge. As condições dos prédios da Biblioteca Municipal, do Teatro Zaqueu de Melo e do Museu Histórico Padre Carlos Weiss foram verificadas na quinta-feira.


