São Paulo, 1(AE)- A regulamentação da inspeção veicular deverá ser um novo nicho de mercado para os fabricantes de autopeças. A Delphi pretende, nos próximos 3 a 4 anos, aumentar a participação do mercado de reposição no seu faturamento, de 8% para 20%. "Trata-se de um novo negócio que fará com que muitos carros tenham de ser conservados por causa da fiscalização", disse o presidente da Delphi para a América do Sul, Volker Barth.
Barth conta com o programa de renovação da frota para recuperação do mercado de veículos no ano 2000. Segundo ele, a venda de veículos no próximo ano poderá chegar a mais de 1,5 milhão. Este ano, não deve passar de 1,3 milhão. A Delphi está entre os chamados "sistemistas", que são os fornecedores de conjuntos de autopeças. O presidente da empresa reclamou da pressão de custos que está entre 20% e 30%, no acumulado de janeiro até hoje. "Não podemos repassar às montadoras", disse.
O executivo explicou que, com a desvalorização do real, as montadoras aumentaram a compra de peças no Brasil. "Mas, o custo brasileiro também aumentou. Se o custo de peças importadas subiu 60%, no Brasil os preços já estão pelo menos 25% mais altos", destacou. "Hoje, ninguém tem margem de lucro", completou, lembrando que este será o primeiro ano de prejuízo da Delphi no Brasil e na Argentina.
Para Barth, "é uma situação única" um País conviver com desvalorização cambial de 60% e uma inflação de 6% a 7%. "Alguém tem de pagar essa conta", disse. O executivo também reclamou do alto custo de produção na Argentina, onde a Delphi tem duas fábricas. "A Argentina quer manter a indústria automobilística lá", lembrou. Por isso, os argentinos querem incluir a exigência de conteúdo nacional nas peças dos carros produzidos naquele país. "Tudo vai depender de os nossos clientes aceitarem o custo maior na Argentina para atender à exigência do conteúdo local", disse Barth.
Hoje, a Delphi exporta o dobro, na comparação com o período anterior à desvalorização cambial. Mas os planos são incrementar ainda mais as vendas no Exterior, para balancear importação e exportação. A empresa exporta, por ano, o equivalente a US$ 35 milhões. A meta é chegar a US$ 70 milhões, com a nova fábrica de compressores para ar condicionado, que será inaugurada em Jaguariúna (SP), no final do próximo ano. As exportações representam 8% do faturamento. No ano passado, as vendas da Delphi, na América do Sul, somaram US$ 700 milhões.

mockup