Inspeção no BNDES descobre sinal de novo grampo
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quinta-feira, 05 de agosto de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 06 (AE) - Uma vistoria nas instalações telefônicas da sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), realizada há um mês por um escritório particular de segurança, descobriu vestígios de um outro grampo, ignorado na perícia feita no inquérito sobre a escuta telefônica que derrubou, entre outros, o ex-ministro das Comunicações Luís Carlos Mendonça de Barros e o ex-presidente da instituição André Lara Resende. Os técnicos do escritório do detetive particular Bechara Jalkh decidiram checar uma hipótese: a de que alguém tivesse interceptado a minicentral telefônica da presidência - na verdade, um aparelho de telefone com capacidade de fazer várias ligações ao mesmo tempo, ligado à do banco.
O grampo havia sido colocado no aparelho telefônico de ramal da presidência, o que só é possível a quem consiga acesso direto ao gabinete.
Jalkh, um conhecido especialista em segurança do Rio, contou que foi chamado para avaliar as condições dos telefones do prédio, depois do estrago feito pelas fitas originadas do grampo.
"Eles encontraram, a cerca de 1 metro do aparelho, na instalação interna que passa pelos painéis e pelo chão, uma fiação cortada, sem oxidação, o que indica que a desconexão foi recente", disse Jalkh. Ele explicou que os grampeadores simplesmente puxaram uma extensão do ramal da presidência e conectaram os fios a um tipo especial de gravador, que é acionado assim que acontece uma chamada.
Apesar de interceptar ligações de ramal, como se trata de uma extensão, esse tipo de escuta não é acusado pela central telefônica.
No laudo feito pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC), os peritos diagnosticaram que haviam sido grampeadas as quatro linhas telefônicas diretas do gabinete da presidência - mas não concluíram se a escuta foi feita dentro ou fora do banco. "As linhas diretas foram grampeadas na rua", afirmou Jalkh. "A central telefônica é segura e bem-controlada pela empresa terceirizada encarregada da manutenção técnica."
A descoberta de uma escuta posta diretamente no aparelho da presidência pode reduzir o universo da investigação: quem fez o grampo teve acesso físico não apenas ao prédio, mas ao gabinete do presidente do banco. Segundo fontes da Polícia Federal (PF), se o grampo no BNDES foi realmente feito por agentes da comunidade de informações ligados à Agência Brasileira de Informações (Abin), como suspeita o delegado Rubens Grandini, podem ter contado com a ajuda de funcionários antes lotados no órgão interno de segurança - que, como as demais estatais, o banco mantinha durante o regime militar.
O BNDES não confirmou a vistoria feita por Jalkh, mas a Assessoria de Imprensa informou que houve um contato com o detetive. O banco não esclareceu qual o serviço pedido a Jalkh, nem como foi pago. Segundo o Setor Administrativo do BNDES, está em curso um processo de diagnóstico e mudança de procedimentos de segurança. Há cerca de seis meses, o BNDES contratou o escritório do detetive para investigar o caso de um estelionatário que estava se fazendo passar pelo então presidente da instituição, José Pio Borges.
Jalkh contou que a equipe fez um levantamento completo das condições de segurança do banco. "As câmeras de vídeo não ficam ligadas e, nos 22 andares, há uma enorme confusão de fios inúteis, conexões de fax e extensões que foram abandonadas e ficaram soltas", descreveu. Ele montou um plano de segurança telefônica, que inclui a aquisição de um caro equipamento importado: um conjunto de cabos blindados, com alarme, a ser instalado na ligação entre a central e os ramais da presidência e diretorias.
"As linhas diretas já foram retiradas, mas, para impedir o grampo nos ramais, a solução é esse cabo, que não permite a instalação de nenhum tipo de aparelho de interceptação e ainda acusa se há vazamento", apontou. O detetive disse que não fechou nenhum contrato com o banco para pôr em execução esse plano porque é necessária a autorização do governo.


