Inspeção do Ibama em complexo nuclear de Angra deverá terminar amanhã
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2000
Por Felipe Werneck 
Rio, 25 (AE) - A inspeção do complexo nuclear de Angra dos Reis, iniciada hoje por técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), deverá terminar amanhã (26), segundo o superintendente do órgão, Carlos Henrique de Abreu Mendes. Antecipada por determinação do ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, a vistoria, que deveria ocorrer somente no mês que vem, foi realizada agora por causa das suspeitas de que haveria irregularidades no armazenamento de rejeitos radioativos de baixa e média atividade. O depósito provisório da usina Angra 1 guarda 2.100 toneladas de lixo nuclear.
Segundo o superintendente, a inspeção possui três aspectos principais: analisar a situação geológica do local onde foi construído o depósito, a questão da capacidade de armazenamento do galpão e fazer o monitoramento ambiental do suposto risco de contaminação. No entanto, segundo Mendes, a vistoria vai servir também para avaliar as condições da estrada BR-101 (Rio-Santos), principal via de acesso à usina, que está em péssimo estado de conservação, de acordo com relatório do próprio Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER).
"Após o término da vistoria, se houver exigências, terão de ser cumpridas imediatamente", afirmou Mendes. Segundo ele, um relatório interno deverá ser discutido pela direção do Ibama na próxima semana e o documento final será divulgado depois do carnaval. Cinco engenheiros realizam a inspeção. Caso apure alguma irregularidade, o Ibama deverá encaminhar as exigências por meio do termo ajustamento de conduta que acompanha o processo de adaptação da central nuclear às leis ambientais do País. Esse mecanismo é necessário porque o licenciamento da usina, autorizado em 1981, é anterior à criação do Ibama e à instituição da atual legislação ambiental.
Seguro - O superintendente de Relações Institucionais da Eletronuclear - operadora da central -, Luiz Soares, voltou a dizer que o depósito "é absolutamente seguro e não está ilegal, porque atende às normas exigidas quando foi construído". "Aguardamos uma definição do Congresso Nacional em relação à construção de um depósito definitivo no País.", afirmou.


