Pessoas que enfrentam estresse no trabalho e mulheres na faixa da pós menopausa são as vítimas da insônia, um mal que atinge 35% da população brasileira. Segundo a especialista em doenças do sono, Mônica Marco de Souza, de Londrina, idosos vivem em asilos, longe da família, também são afetados pelo distúrbio. ''Na terceira idade se percebe que essas queixas são muito comuns em pessoas que se sentem só e caracteriza-se também pelo poder econômico, porque também são portadores de doenças crônicas e que têm gastos com medicamentos e com própria moradia'', diz a médica.

Os efeitos da insônia são sentidos principalmente no trabalho, já que noites sem conseguir ''pregar os olhos'' influenciam diretamento o desempenho no dia a dia. Além de causar ligeiros lapsos de memória, diz a especialista, a falta de um sono regulador também diminui os reflexos, podendo resultar em acidentes de trânsito. Além de contribuir para o aparecimento de outras doenças como a hipertensão.

Por estar quase sempre ligada ao aspecto emocional, a insônia chega acompanhada de um quadro de depressão. ''Muito se perguntou se foi a insônia que levou à depressão ou a depressão que levou à insônia, agora se sabe que uma das manifestações mais importantes do quadro depressivo é a insônia, é como se fosse uma característica importante e principal da doença'', explica a médica.

''O médico, ao fazer uma entrevista com um paciente com transtorno depressivo, que se queixa de desânimo, apatia tristeza, choro, tem que lembrar que a insônia faz parte de 90% a 95% por cento das manifestações da depressão'', diz Mônica.

Apesar de pacientes depressivos exigirem cuidados especiais, em relação à insônia as recomendações são básicas: ter horário habitual para se deitar, para acordar, não levar problemas e nem ter televisão dentro do quarto, praticar atividades físicas, evitar café e bebidas que tenham cafeína depois das 2 horas da tarde, evitar cigarros e ter um quarto mais para o repouso.

Outro ponto importante levantado pela especialista é o uso excessivo de remédios que ajudam a regular o sono. Os famosos ''tarja preta'' são, segundo ela, medicamentos que, usados de maneira errada, podem desenvolver dependência e por isso necessitam de prescrição médica. ''O médico que vai prescrever benzodiazepínico que são os 'tarja preta' tem que pensar que o medicamento deve ter uma vida intermediária mais curta, e que ele (o paciente) não vai usar além de 60 dias'', comenta. ''É importante lembrar que com o passar do tempo eles ao invés de ajudarem eles acabam trazendo prejuízo para a qualidade do sono'', diz.

Embora os indivíduos estejam sujeitos a pressões do cotidiano, não são apenas algumas noites sem dormir que caracterizam a insônia. ''Se a queixa da alteração do sono ultrapassar 30 dias, 60 dias, ou até 90 dias e a pessoa, está tendo queda na produção do trabalho, picos de hipertensão arterial, prejuízo de memória, sonolência durante o dia, principalmente sono dirigindo o carro, isso são indícios de que a qualidade do sono está prejudicando a vida do paciente e ele deve procurar o médico'', finaliza.

mockup