Curitiba- Uma lista de classificação internacional de 2005 cataloga 98 distúrbios do sono. Mas, segundo o neurologista Flávio Aloe, dois deles merecem destaque: a insônia e a apnéia obstrutiva do sono. Do primeiro mal, que se caracteriza pelo binômio de início e/ou continuação do sono, sofrem entre 10% a 15% da população. Já a apnéia afeta de 4% a 8% das pessoas no mundo, mas se trata de um distúrbio mais grave, que provoca sono noturno agitado com múltiplos despertares, roncos altos, pausas respiratórias e até engasgos.
Ambos são modelos de privação do sono e rendem prejuízos para a pessoa que vai apresentar fadiga, cansaço, sonolência e pouco rendimento neuropsicomotor. Segundo Aloe, a insônia aumenta progressivamente com a idade e é três vezes mais prevalente na mulher do que no homem. ''Não se trata com psicoterapia, mas com terapia cognitiva. Boa parte dos casos usamos hipnóticos (classe de medicação que induz o sono) e antidepressivos'', informa o neurologista.
A apnéia é um problema físico que aflinge homens de meia-idade, obesos e de pescoço curto e largo, mas pode aparecer também em mulheres, crianças e idosos. Durante o sono, a garganta colapsa ®MDBO¯®MDNM¯e fecha a via aérea. A apnéia pode causar doenças cardiovasculares, hipertensão, derrame e até morte. ''A solução é uma cirurgia para desobstruir a garganta e emagrecer. Ainda existe uma terapia específica e eficiente que é o uso de aparelhos respiradores de pressão aérea positiva, que injeta o ar enquanto a pessoa dorme'', esclarece Aloe.
Para a população jovem e saudável que sofre com a privação do sono e apresenta sonolência diurna, o médico recomenda uma soneca após o almoço e que não dure mais de 40 minutos. ''É uma opção 100% benéfica para quem faz da forma correta. É a famosa sesta praticada na Europa. Ela recupera o cansaço e melhora o rendimento. Funciona como um elemento de reforço diurno se feita cerca de seis a oito horas depois de acordado e no tempo indicado'', enfatiza.
Para corrigir a prática da sonorexia, o especialista conta que adolescentes e idosos costumam procurar tratamento. ''Há dois tipos de desorganização do sono, aquele que a pessoa dorme e acorda tarde demais, o que costuma acontecer com os jovens, e outro que é a situação inversa, geralmente, em idosos. Quando chega a certo grau de prejuízo para a vida social e escolar aí deve-se procurar o médico'', ensina Aloe.
Um das formas mais usuais de correção é feita com horários de início e término do sono. ''Vai adiantando de 15 a 20 minutos, toda noite, e aumentando gradativamente até chegar ao sono adequado'', detalha.(F.G.)

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