Inseto transmissor não é praga da lavoura
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terça-feira, 22 de março de 2005
Da Redação 
Curitiba - O surto da doença de Chagas, que já provocou 19 vítimas que ingeriram caldo de cana, está preocupando os paranaenses. Apesar de estar ligada a uma cultura agrícola, segundo o diretor do Departamento de Defesa, Fiscalização e Sanidade Agropecuária (Defis) da Secretaria da Agricultura, Felisberto Baptista, o bicho-barbeiro não é uma praga da agricultura. ''Trata-se de um inseto caseiro, portanto o problema não está ligado à sanidade na lavoura, e sim à questão de higiene pública. Provavelmente a armazenagem da cana-de-açúcar de forma incorreta contribuiu para atrair o inseto transmissor'', alertou.
De acordo com Baptista, a transmissão não aconteceu por contaminação da lavoura, uma vez que o barbeiro, inseto transmissor e hospedeiro do protozoário Trypanossoma cruzi, é hematófago, ou seja, alimenta-se de sangue, não infectando plantações. De acordo com levantamentos da Secretaria de Saúde de Santa Catarina, existe a possibilidade de o inseto ter sido esmagado junto com a cana no momento do preparo da bebida, o que acabou infectando as vítimas.
O diretor do Defis explicou que as providências a serem tomadas neste caso são de competência da Vigilância Sanitária. ''Cabe à Secretaria da Agricultura o controle sanitário dos vegetais como pragas quarentenárias. No caso da cana-de-açúcar, não existe esse tipo de praga, motivo pelo qual não há fiscalização nessas lavouras'', acrescentou. Ele disse ainda que o Paraná prima pela qualidade de sua cana, e que o volume expressivo produzido pelo Estado para a transformação em álcool e açúcar até hoje nunca apresentou problema de sanidade vegetal.


