Cerca de 10 mil pessoas e 25 mil veículos transitam nos dias mais movimentados, especialmente às quartas e sábados, na Ponte Internacional da Amizade, única ponte que une o Brasil ao Paraguai.
Deste contingente fazem parte três grupos distintos: trabalhadores (a maioria de baixa renda), jovens e adolescentes que compõem quadrilhas de ladrões e assaltantes e um numeroso efetivo de segurança, dos quais participam militares, policiais, funcionários do Fisco e patrulheiros rodoviários.
As estatísticas são imprecisas. Marinha paraguaia, Polícia Federal (PF), Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal estimam entre três e dez o número diário de assaltos. Os comandos dos três órgãos reconhecem que entre 60% e 80% das vítimas não registram queixas.
Do lado brasileiro, a vítima que quiser fazer um boletim de ocorrência terá que se deslocar cerca de quatro quilômetros até a 6ª Subdivisão Policial (6ª SDP). ‘‘Esperamos que, em breve, esteja funcionando o 6º Distrito Policial, na Vila Portes (bairro próximo a ponte). Aí, certamente, o número de queixas irá aumentar’’, diz o delegado-adjunto da 6ª SDP, Altino Gubert Júnior.
Do lado paraguaio, a queixa demanda mais gasto de tempo ainda. A sede da Polícia Nacional, fica num bairro distante, a cerca de cinco quilômetros do fervilhante centro comercial de Ciudad del Este. ‘‘Mas, a maioria desiste por medo e descrédito’’, admite Aníbal Augusto Lima, policial responsável pelo Departamento de Relações Públicas do órgão na cidade.
Mas as dificuldades para a punição dos criminosos não ficam restritas a falta de registros formais. A presença de menores nas quadrilhas dos dois lados da ponte impede que o problema seja transferido para as penitenciárias.
‘‘Eles usam uma quantidade muito grande de adolescentes. Fazem parte deste rodízio até ladrões de outras cidades’’, lembra o delegado Gubert Júnior, que, em média, prende um ladrão adulto por semana.
‘‘O esquema é manjado. Os marmanjos roubam e passam para os menores guardarem. Deste jeito ninguém é preso’’, conta o vendedor ambulante Edgar Clo, 51 anos, que transita diariamente na ponte.
Para o inspetor Marcos Malmann, chefe do Setor de Operações da Polícia Rodoviária Federal de Foz do Iguaçu, o maior problema para o combate à criminalidade na fronteira é o acúmulo demasiado de pessoas e carros num espaço tão pequeno.
‘‘Nos dias de maior movimento é quase impossível fazer policiamento preventivo’’, diz Malmann. O inspetor destaca a morosidade do lado paraguaio da ponte, provocada pela desorganização do trânsito de Ciudad del Este, como um complicador para a ação dos patrulheiros. ‘‘Quando tivermos fluidez do lado de lá, conseguiremos fazer um trabalho adequado’’, garante.
Todos estes problemas estarão sendo discutidos em reuniões quinzenais, nas quais poderão comparecer representantes da Marinha e da Polícia Nacional paraguaia. A iniciativa do encontro é da Polícia Federal. ‘‘Entendemos que a situação é bastante constrangedora, mas, temos outros problemas até mais graves, como por exemplo, assaltos a ônibus e tráfico de drogas’’, diz Fernando Braga, chefe da seção de operações da Polícia Federal de Foz do Iguaçu.
Até o final do ano, a PF de Foz deve receber um reforço de 15 homens em seus quadros. A notícia, entretanto, não significa mais homens na Ponte da Amizade. ‘‘Estamos com déficit de agentes em quase todos os pontos de atuação em Foz’’, afirma Braga.
Para ele, pode ser que a ponte receba, no máximo, mais cinco agentes. ‘‘O que não resolve o problema. Não ajuda nem mesmo para operações táticas, já que as quadrilhas conhecem a maioria dos nossos homens’’, diz.

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