A greve dos policiais e a insegurança geral da população de Salvador são uma mancha na maquiagem da cidade, que tem sido vendida pelos seus governantes como um paraíso turístico. ‘‘Salvador é uma cidade maquiada’’, diz o sociólogo Reginaldo Prandi, da Universidade de São Paulo, especialista no estudo das religiões afrobrasileiras e grande conhecedor da capital baiana.
Existe a Salvador ‘‘maquiada’’ - a área turística, com ruas limpas, casas pintadas e policiamento especial -, e aquela dos moradores da periferia, sem saneamento básico e segurança, repleta de jovens desocupados andando pelas ruas.
A greve serviu para trazer um pouco de pânico para a Salvador dos turistas, que tiveram que ficar presos em seus hotéis, mas a verdadeira insegurança se agravou nas regiões onde ela é rotineira.
‘‘Em momentos como esse em que o Estado cede o monopólio da violência, a população tenta se defender como pode. A televisão mostrou um caso de quase linchamento. E eu vi um funcionário da universidade que saiu armado para trabalhar. Isso é assustador’’, diz o sociólogo Flávio Pierucci, também da USP.
Segundo o sociólogo, o uso de máscaras pelos policiais grevistas, ‘‘lembrando bandidos’’, também contribuiu para piorar a imagem da polícia junto da população. Em contrapartida, quem ganha pontos na imagem é o Exército, ‘‘que passa a ser visto com a salvação da pátria’’, diz Prandi. (Agência Folha)

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