Insegurança e juro diminuem, e paulistano volta às compras
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domingo, 25 de abril de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 26 (AE) - O comércio paulista já começa a captar uma reversão nas vendas na segunda quinzena deste mês, desencadeada pela redução dos juros, do recuo do dólar e da menor expectativa de inflação. O cenário mais positivo, registrado a partir da segunda semana de abril, está trazendo o consumidor de volta às compras, especialmente nas vésperas do Dia das Mães, a melhor data de vendas para os lojistas, só superada pelo Natal.
Entre 16 e 25 deste mês, as vendas a prazo medidas pelas consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) recuaram 5,2% em relação a igual período de 1998. Na primeira quinzena, a queda havia sido de 18 8% na comparação com ano anterior.
Nas vendas à vista, o movimento foi semelhante. O recuo no volume de consultas no Telecheque de 16 a 25 de abril foi de 2,3% na comparação com os mesmos dias de 98, ante retração de 20 8% nas duas primeiras semanas do mês.
O resultado do fim-de-semana confirma que o cenário está ficando cada dia menos negativo. De sexta-feira a domingo, foram registradas 99.965 consultas para venda a prazo, 4,4% mais que no fim-de-semana anterior, e 16,3% mais que em igual período de março. Na comparação com os mesmos dias do ano passado, o acréscimo foi de 2,2%.
"O resultado do fim-de-semana na venda a prazo contrariou a sazonalidade", observa o economista da ACSP Emílio Alfieri. Ele explica que, normalmente, as vendas do último fim de semana do mês são menores que as do terceiro, mas em abril ocorreu o inverso e, além dos indicadores mais favoráveis, as vendas foram impulsionadas pela antecipação de compras do Dia das Mães e, provavelmente, pela compra de veículos, com a proximidade da data do fim do acordo do setor.
Na venda à vista, o desempenho do último fim-de-semana foi 8,5% maior que o de igual período de março. Mas na comparação com o fim-de-semana anterior e os mesmo dias do ano passado houve queda de 1% e de 2,4%, respectivamente. "Abril foi o fundo do poço", diz Alfieri, destacado que a partir da segunda quinzena deste mês começou a ocorrer mudança na rota da economia.
Mesmo com essa reversão na segunda quinzena, o economista não acredita que os números de abril sejam positivos. Ele calcula que as vendas à vista fechem o mês com queda de 13% na comparação com abril de 1998 e o recuo nos negócios a prazo fique em 12%, as maiores retrações mensais registradas em 1999 na comparação com igual período do ano passado.
Mães - Pelos números registrados no fim-de-semana - crescimento de 2,2% nas vendas a prazo e queda de 2,4% nas à vista, em relação a igual período do ano passado -, o prognóstico da ACSP é que o comércio repita neste Dia das Mães as vendas de 1998. "Esse resultado é muito bom", diz Alfieri.
Para o presidente da Associação dos Lojistas de Shoppings do Estado de São Paulo (Alshop), Nabil Shayuon, é provável que o faturamento deste Dia das Mães fique entre 1% e 2% maior que o obtido no ano passado. "Com o desemprego elevado
não dá para imaginar uma explosão no consumo", diz o economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo Fábio Pina.
Levantamento informal realizado hoje em 14 shoppings da Grande São Paulo revela que o faturamento neste fim de semana ficou 5% acima do registrado no anterior, que já havia sido muito bom. "Foi o melhor fim de semana de abril", diz o presidente da Alshop.
A reversão das vendas a partir da segunda quinzena deste mês, destaca Shayuon, está sendo um alento para os lojistas, que já esperam fechar abril repetindo o faturamento do mesmo período do ano passado. É que no primeiro trimestre do ano, os lojistas de shoppings tiveram uma retração de 40% na receita em relação a igual período de 1998, conta o presidente da Alshop.
"O consumidor já começou a antecipar as compras para os Dia das Mães", diz o superintendente do Shopping Aricanduva, Marcos Ségio de Oliveira Novaes. Com 320 lojas, o Shopping Aricanduva teve no fim de semana um acréscimo de 3% no faturamento em relação ao mesmo período de 1998. A expectativa é cerscer 7%.


