Insegurança assusta passageiros
Os passageiros ouvidos pela Folha foram unânimes ao afirmar que enfrentaram a experiência mais assustadora de suas vidas. Foi cinematográfico, não imaginava que uma coisa dessas pudesse acontecer na vida real. Os assaltantes estavam nervosos e prometiam explodir o avião depois que descessem. Muita gente está com medo de continuar a viagem no mesmo avião, apesar de confiarmos na polícia, desabafou o empresário Ari Caldas, de Curitiba.
Entre os diversos estrangeiros, um grupo de 11 chineses demonstrava maior inquietação. Assustados, eles manifestavam desejo de voltar rapidamente para a China. Foi minha primeira viagem ao Brasil e pretendo voltar para o meu país o mais rápido possível. Ainda não sei se vou ter coragem de voltar para cá novamente, disse Lin Dun Yi.
Impressionado com o episódio, ele reclamou da falta de segurança. Não entendo como é possível pessoas armadas embarcarem em um avião, se existem detectores de metal. Sem querer generalizar, estou achando que o Brasil não é muito seguro, comentou.
Descontraída, a espanhola Nati Eceiza não aparentava estar traumatizada. Nunca mais quero voar em um avião como esse, mas com certeza quero voltar a Foz do Iguaçu, que é linda, disse. Apesar do susto, os estrangeiros elogiaram a tripulação do avião. As aeromoças estavam muito calmas e conseguiram tranquilizar os passageiros, demonstrando muito profissionalismo. Neste aspecto, não posso reclamar, ressaltou Lin Dun Yi.
O tiro de pistola em pleno ar foi o momento de maior pavor para os passageiros do vôo 280 da Vasp. Quando o avião pousou em Porecatu houve turbulência, mas o momento de pânico foi na hora do tiro, contou o perito de seguradora, Wilson Rocha, 32 anos.
Um dos passageiros, o agente de viagem Ari de Almeida, informou que um dos bandidos insistiu com a tripulação que o pouso deveria ser feito em Porecatu, alegando que ele era piloto e conhecia a região. Outro passageiro, o italiano Gabriele Chiari, de 55 anos, que viajava com a mulher e a filha adolescente, contou que, no início, os passageiros demoraram um pouco para perceber o que estava acontecendo. Um dos sequestradores colocou uma pistola na cabeça de uma das comissárias e a obrigou a levá-lo até a cabine. Nisso, os outros quatro colocaram máscaras, disse o turista.
Chiari afirmou também que os sequestradores levaram todos os telefones celulares dos passageiros. Um dos sequestradores, de acordo com os turistas, estava visivelmente nervoso.
Ainda segundo os italianos, o grupo ordenou aos passageiros que permanecessem com as janelas fechadas, e assim que o avião pousou em Porecatu, só um assaltante ficou dentro da aeronave. Os outros quatro desceram para retirar os malotes do compartimento de cargas.
Gabriele Chiari e a mulher Vera contaram que viveram momentos de muito medo dentro da aeronave. Mesmo assim não deixaram de elogiar as belezas do Brasil, garantindo que vão continuar a viagem iniciada em Maceió. O destino da família, ontem, era o Rio de Janeiro.
Os passageiros que tinham como destino Curitiba iriam embarcar em um vôo da Rio Sul ontem à noite mesmo. Os demais iriam para hotéis da cidade. Até às 21h30 de ontem, a aeronave da Vasp permanecia no aeroporto de Londrina. Um funcionário da Infraero informou que a empresa ainda não havia comunicado se iria pernoitar ali ou se decolaria para outro local.
Segundo Geraldo Gonçalves Filho, chefe técnico do Instituto de Criminalística de Londrina (ICL), os peritos colheram fragmentos do projétil disparado dentro do avião. Possivelmente era uma arma de fino calibre, mas por enquanto não é possível dizer mais nada, acrescentou. Os peritos também colheram impressões digitais e um projétil intacto encontrado no avião. O laudo do ICL deverá estar pronto em 15 dias. (Carolina Avansini, Lino Ramos e Silvana Leão)





