Insatisfeitos do PMDB devem deixar governo, diz Covas
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terça-feira, 08 de junho de 1999
Por Márcia Furlan 
São Paulo, 9 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), criticou, esta manhã, a postura do PMDB de "tentar forçar" a indicação do novo superintendente da Polícia Federal, argumentando que a prerrogativa de escolher o nome é exclusiva do presidente da República.
"Quem está no governo e não está satisfeito, que saia e deixe o cargo", afirmou o governador, numa alusão aos postos que o PMDB ocupa no governo federal. A declaração foi feita por Covas em entrevista concedida após a assinatura de protocolo de intenções com sindicatos europeus para implantação de programa educativo à crianças e adolescentes.
O governador considerou que o PMDB foi prepotente e obteve como resposta de Fernando Henrique Cardoso a indicação de João Batista Campelo, secretário de Segurança de Roraima, que não tinha aprovação dos peemedebistas. "Querer impedir que o presidente indique alguém é uma barbaridade." Covas afirmou também que "se fosse com ele, certamente tomaria medidas" com relação às afirmações do senador Jader Barbalho a respeito do impasse na escolha do nome. Barbalho disse que não iria permitir que "outros partidos e ministros metam o bedelho nisso".
Covas afirmou também que não considera "ruim" para o presidente Fernando Henrique Cardoso a eventual saída do PMDB da base aliada do governo, em função das divergências com relação à nomeação do superintendente da Polícia Federal. "O ruim é alguém entender que pode passar por cima do presidente da república e fazer uma nomeação à revelia", afirmou. Para ele quando um partido se alia ao governo deve obedecer a regras do jogo já conhecido. O governador considerou ainda inaceitável um partido pensar que, só porque tem um ministro no governo pode nomear pessoas sem a aprovação do presidente.
Prefeitura - O governador de São Paulo disse que considera possível a formação de coligação entre seu partido, o PSDB e outras legendas para as eleições à Prefeitura de São Paulo no próximo ano. Ele não apontou, entretanto, com quais partidos os tucanos poderiam eventualmente se aliar, apenas acha improvável que o candidato que vai liderar a chapa não seja do PSDB. "Acho difícil o nome não ser do nosso partido", afirmou.
Ao ser indagado se não seria conflitante formar aliança com o PFL, por exemplo, para as eleições municipais enquanto os dois partidos já anunciaram que não iram se unir para as eleições presidenciais, Covas desconversou. "Vocês me perguntaram se é possível a coligação e, eu respondi que sim, mas isso não significa que ela vai acontecer", afirmou.
As declarações de Covas foram feitas na cerimônia de assinatura de protocolo de intenções para implantação de programa educativo a crianças e adolescentes.


