São Paulo, 20 (AE) - A insatisfação com o cenário econômico brasileiro por parte dos empresários da cidade de São Paulo, em outubro, aumentou 2,16% em comparação a igual período do mês passado. Em setembro, 29% disseram que a situação do País piorou. Os dados são da Pesquisa de Opinião do Comércio (POC) feita mensalmente pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP) e divulgada em parceria com a Agência Estado.
De acordo com a pesquisa, um dos fatores que influenciaram no pessimismo dos empresários foi a derrota do governo no Supremo Tribunal Federal (STF) quanto à cobrança de contribuição dos inativos. Além disso, a incerteza quanto à queda ou não dos juros tem deixado o setor apreensivo.
Apesar de 11,13% dos entrevistados terem respondido, em setembro, que a situação do País melhorou, em outubro, esse número caiu para 8,71%. Mas o economista Fábio Pina, da FCESP, acredita que desde agosto o setor já se sentia pressionado. Segundo ele, os ajustes técnicos iniciados naquele mês, como o aumento das tarifas - que se prolonga até os dias atuais - deixou os empresários desconfiados quanto a melhoras da economia.
Outras variáveis como o dólar (que ultrapassou a barreira dos R$ 2,00), a pressão inflacionária sentida no atacado - que começa a se fazer presente na ponta do consumidor - e o fraco desempenho comercial apesar da mudança brutal de preços relativos, "torna o quadro mais preocupante", acrescenta o economista.
Segundo a POC, para mais de 61% (contra 58% em setembro) dos empresários, o governo não tem condições de reverter as expectativas negativas, enquanto 31% acreditam em uma reviravolta na economia brasileira. Entre aqueles que acham Fernando Henrique Cardoso capaz de mudar esse quadro, 75% não esperam que isto ocorra antes de 12 meses. Já 12,90% dos entrevistados não souberam dizer como serão os próximos 12 meses. As esperanças de melhora para os empresários são a longo prazo.
A POC também revela novamente a queda da credibilidade do Plano Real que ganhou nota 4,01 dos comerciantes. A nota demonstra a desconfiança na capacidade real de retomada da economia, com aumento das vendas e reaquecimento do comércio. Além disso, mostra que a recessão continua se prolongando.
Prova da insatisfação do setor, segundo a pesquisa, é que os empresários estão mantendo reduzidos seus estoques, mesmo por já estar se aproximando o Natal - considerado um dos melhores períodos de venda para o comércio. De acordo com a análise, a expectativa de um segundo semestre "bastante bom" já se foi. "As vendas devem ser inferior às de 98 ou então apresentar os mesmos índices", acredita Pina.
Mas se o movimento no comércio está fraco, o índice de inadimplência registrado em outubro praticamente se manteve estável (elevação de 0,4%). Entre os responsáveis por essa estabilidade estão as medidas anunciadas pelo governo de redução de juros e do recolhimento de empréstimos compulsórios, que provocaram negociações de dívidas.

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