Inquilinos devolvem imóveis para evitar ações, revela Secovi
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de maio de 1999
Por Ana Cláudia Cruz 
São Paulo, 10 (AE) - O número de ações judiciais de aluguel propostas em São Paulo nos primeiros quatro meses do ano caiu 29% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com levantamento do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação Residencial e Comercial de São Paulo (Secovi-SP).
A queda, no entanto, não significa que a inadimplência dos inquilinos esteja diminuindo. "Muitos estão devolvendo o imóvel antes de a inandimplência configurar-se", diz o vice-presidente de Locação do Secovi, Sergio Luiz Lembi. "Temos percebido aumento do interesse pela negociação dos aluguéis atrasados para evitar a ação judicial."
O diretor de Legislação do Inquilinato do Secovi, Jaques Bushatsky, observa que a negociação é uma boa saída, já que as ações judiciais são demoradas e têm num custo elevado.
Ele informa que as custas judiciais chegam a 1% do valor do débito, mais os honorários do advogado, que variam de 10% a 20%, além do valor da avaliação. "Muitas vezes, é um gasto ruim
porque o inquilino chegou a um grau de insolvência que o proprietário pode até ganhar a ação, mas não vai receber nada", explica Bushatsky.
Considerando o mês de abril, as ações de despejo por falta de pagamento, que correspondem a 93% do total, passaram de 2.929, em março, para 2.452 em abril. Ou seja, uma redução de 16 3%. Só as propostas de ações consignatórias - quando o inquilino quer depositar o valor do aluguel em Juízo - apresentaram aumento de 15,4% em abril.
Procura - A procura por imóveis residenciais de menor valor para alugar aumentou na cidade de São Paulo. Cerca de 74% das empresas de locação entrevistadas na pesquisa informaram que a demanda por unidades com aluguel de até R$ 300 cresceu no primeiro trimestre deste ano, em comparação com os últimos três meses de 1998. Os dados são da Pesquisa Conjuntural de Locação, realizada pelo Secovi-SP, na qual foram ouvidas 129 empresas.
A quantidade de imóveis alugados continua aumentando nas faixas de até R$ 600. A partir daí, o número de contratos diminuiu em São Paulo.
A pesquisa do Secovi aponta ainda que o menor valor médio de locação apurado foi para imóveis sem vaga de garagem, em estado de conservação regular e localizados na zona leste: R$ 230.
As casas e apartamentos com dois dormitórios em bom estado e com garagem apresentaram um valor médio de locação de R$ 490, 00 na zona norte da cidade, de R$ 585,00 na zona sul e centro, de R$ 460 na leste e R$ 575 na oeste.
"O Índice de Velocidade de Locação - a demora para alugar - apurado pela pesquisa no trimestre chegou a três meses para apartamentos e 2,8 meses para casas", informou o diretor-executivo de Locação do Secovi, Aimoré de Freitas.


