Inquietação na Europa com erros da Otan Do correspondente GILLES LAPOUGE
Paris, 17 (AE) - A guerra de Kosovo continua "provocando ondas" de reações nos pequenos países europeus, até mesmo entre os que aspiram a entrar na OTAN, por exemplo alguns países nórdicos, como a Suécia e a Finlândia.
Estas duas nações compreenderam mal a operação da OTAN. Certamente, a maioria dos habitantes desses países acha necessário chamar à razão o presidente Slobodan Milosevic e lutar contra a destruição de Kosovo. Mas os métodos aplicados pelos aliados para salvar Kosovo parecem consternadores a seus olhos: bombardeios cegos, estragos colaterais, destruição sistemática de um pequeno país da Europa, incapacidade da OTAN - essa uma coalizão gigante de 19 países poderosos - de colocar de joelhos um minúsculo Estado em ruínas: aos olhos dos nórdicos, o resultado até agora é duvidoso.
Além disso, tanto os suecos quanto os finlandeses, legalistas e pacifistas como todos os povos do Norte, não concordam que a OTAN passe friamente por cima da ONU.
As consequências são palpáveis: atualmente, a adesão da Finlândia à OTAN reúne apenas 25% de votos favoráveis, enquanto, ao contrário, 51% dos finlandeses rejeitam essa filiação. O mesmo está acontecendo na Suécia: há três meses, 32% dos suecos desejavam uma filiação à OTAN. Hoje, são apenas 26%. E, por outro lado, 52% dos suecos preferem adiar essa adesão à Aliança.
Nos dois casos, os governos julgam com mais seriedade. Mantêm seu apoio à OTAN porque consideram muito importante pertencer ao sistema de defesa atlântica. Mas, com a condição de que a OTAN volte às suas práticas sadias e que os pilotos dos bombardeiros se tornem um pouco mais precisos e não errem seus alvos com tanta frequência.
Na Itália, desde o primeiro dia, a opinião pública mostrou-se inquieta, dividida. Esta desconfiança perdura. A isso se acrescenta uma nova queixa que sugiu entre os pescadores. É sabido que, quando os aviões da OTAN não podem bombardear seus alvos na Sérvia por causa do mau tempo ou por qualquer outro motivo, não devem voltar a seus porta-aviões ou às suas bases com sua carga. E por isso descarregam seus artefatos mortais no Mar Adriático, entre a Itália e Montenegro.
Os pescadores venezianos frequentemente estão pescando bombas e, muito frequentemente, bombas de fragmentação: pequenos cilindros de 20 x 6 centímetros, provenientes destas terríveis bombas que, antes de chegarem ao solo, liberam centenas de minibombas. Há pouco, no dia 10 de maio, um desses artefato explodiu na rede de arrasto da traineira "Profeta", ferindo três pescadores , um deles gravemente.
O governo italiano exigiu explicações. A OTAN respondeu que os aviadores nunca soltam suas bombas no Mar Adriático sem antes desativá-las. Mas isso não tranquilizou os pescadores que agora estão com medo de se lançarem à pesca nesse "mar explosivo".





