Da Sucursal

Michel Willian/Arquivo FolhaImpuneAutor do atentado à bomba no Shopping Curitiba, dia 15 de outubro do ano passado, ainda não foi descobertoUma pilha de inquéritos sem solução tem crescido nos últimos meses na Delegacia de Explosivos, Armas e Munições (Deam), em Curitiba. São inquéritos abertos para apurar a autoria de atentados a bomba praticados na cidade, muitos deles com vítimas. Em pouco mais de um ano, foram registrados pelo menos oito casos, além de dezenas de ameaças e falsas bombas. Na grande maioria dos casos, a polícia não tem sequer suspeitos dos crimes.
Dos oito casos noticiados nos últimos tempos, dois tiveram como vítimas os próprios autores das bombas, dispensando maiores investigações. Dos outros seis casos, em apenas um a polícia concluiu o inquérito apontando um culpado.
Foi o caso da morte do mecânico Leandro Correa, de 20 anos, atingido por uma bomba caseira dentro de uma estação-tubo no bairro Fazendinha, em junho de 1996. O 11º Distrito Policial, responsável pelo inquérito, indiciou Luiz Alberto Maciel, conhecido como ‘‘Guerrinha’’, e o caso está em fase de instrução na Justiça.
Os outros inquéritos a cargo da Deam não foram arquivados, tampouco foram concluídos. No de maior impacto - a bomba colocada no Shopping Curitiba em outubro do ano passado -, a polícia chegou a divulgar dois retratos falados de suspeitos, mas a investigação não evoluiu.
‘‘Na hora da explosão muita gente diz que viu suspeitos, mas depois o medo faz as testemunhas recuarem, dificultando nosso trabalho’’, diz o delegado Sydnei Cardoso do Prado, da Deam. O delegado dá como exemplo o caso mais recente, de explosão de uma bomba num ônibus biarticulado da linha Centenário, no dia 12 deste mês. ‘‘O ônibus estava lotado. É inacreditável que ninguém tenha condições de descrever os dois homens que foram vistos correndo logo após a bomba ter sido jogada’’, diz Cardoso.
No caso da bomba no Shopping Curitiba, o delegado se ampara na tradicional rivalidade entre as polícias civil e militar para explicar as dificuldades. Segundo ele, o fato de a PM ter explodido a bomba logo após retirá-la do shopping ‘‘prejudicou a perícia’’ e, em consequência, toda a investigação.
Cardoso diz que todos os inquéritos continuam abertos, à espera de informações que possam levar a alguma conclusão. A Deam tem um setor com cinco investigadores que se dedicam exclusivamente aos casos de atentados a bombas.
Quase a totalidade dos registros envolve bombas caseiras, preparadas de forma rudimentar. A sala do escrivão Juraci Dias também guarda uma série de falsas bombas - dispositivos preparados só com o objetivo de assustar, mas que exigem a mobilização da polícia.

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