Inquérito vai apurar se outros PMs já sabiam do sequestro
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segunda-feira, 15 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Foi aberto ontem Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar se outros policiais militares, principalmente oficiais, sabiam do sequestro ou tiveram participação indireta no caso, como o tenente Paulo César Cury, que forneceu dois interceptadores de rádio e dois coletes à prova de bala para os sequestradores.
Há informação de que a Polícia Militar sabia, desde o dia do sequestro de Cleucy Meireles de Oliveira, 12 anos, que havia PMs envolvidos no crime. Cleucy, filha do empresário e deputado distrital Luiz Estevão (PMDB-DF), foi sequestrada no dia 5 passado, na porta da Escola Americana, na quadra 605 Sul, em Brasília. Ela foi levada pelo tenente Osmarinho da Silva Filho, soldado Ricardo Mendes dos Santos, gráfico Claudione Alves de Farias e pelo estudante Cleusimar Alves de Andrade. Além deles, foi preso o tenente da PM Paulo César Cury, que forneceu alguns equipamentos de rádio utilizados pelo grupo.
Na tarde do dia 5, poucas horas depois do sequestro, um oficial lotado no Comando Geral da PM recebeu um telefonema anônimo relatando a participação de policiais militares. O Serviço Reservado da PM não conseguiu localizar o informante e não pôde investigar os 15 mil integrantes da corporação.
O Inquérito Policial Militar será presidido pelo coronel Ruy Sampaio da Silva, considerado um dos oficiais mais severos da PM do DF. Ele terá 40 dias para concluir o inquérito e vai centralizar as investigações nos três PMs envolvidos no sequestro. Sampaio também requisitará laudos e perícias feitas pela polícia civil no local do cativeiro, onde foi morto o gráfico Claudione Alves de Farias, responsável pela guarda da menina.
Ontem Cleucy de Oliveira voltou à Escola Americana, onde chegou atrasada e perdeu a primeira aula. A primeira pessoa que ela encontrou na porta do estabelecimento foi a soldado Tânia Inácio, que viu o sequestro e pouco pôde fazer para evitar que a menina fosse levada. As duas se abraçaram, mas Cleucy não quis falar sobre os sete dias em que permaneceu nas mãos dos sequestradores.
Seu pai, o deputado distrital Luiz Estêvão, esteve ontem com o ministro da Justiça, Íris Rezende, com o governador Cristóvam Buarque (PT) - seu principal adversário político em Brasília - e com o secretário-geral da Presidência da República, Eduardo Jorge Caldas, para agradecer a colaboração das polícias civil e federal na solução do sequestro.


