A Polícia Civil de Arapongas (37 km a oeste de Londrina) instaurou inquérito ontem para apurar o conflito entre integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Assentamento Dorcelina Folador, antiga Fazenda São Carlos. A medida foi tomada após reunião ocorrida ontem na prefeitura com representantes do Incra, Ministério Público e do município. O MST teria sido convidado mas não participou do encontro. A Folha também tentou contato com o MST, mas não obteve retorno da coordenação estadual.

A propriedade onde moram 94 famílias ligadas ao MST continua sob tensão. Na última quinta-feira quatro famílias ficaram sob cárcere privado durante quatro horas. Elas foram colocadas em um caminhão e despejadas em seguida à margem de uma estrada rural.

Os desalojados, cerca de 20 pessoas que estão pernoitando em um centro comunitário, acusam líderes do assentamento pela ação. Outras nove famílias teriam sido vítima de ação semelhante em abril de 2000.

O inquérito que apura este primeiro caso ainda está em curso. Segundo eles, o grupo fazia constante patrulha política e a expulsão teria sido motivada pela recusa das vítimas em participar de ocupações de área rural do MST.

De acordo com o delegado Valdir Abrahão da Silva, as oito vítimas irão depor primeiro. Em seguida, serão ouvidas os líderes da ação. Cerca de 150 pessoas que teriam participado da expulsão deverão ser identificadas. O Ministério Público acompanhará os depoimentos. (Lúcio Flávio Moura, de Londrina)

mockup