Rio, 28 (AE) - As investigações envolvendo os documentos apreendidos nas diligências realizadas no Banco Marka e na residência do banqueiro Salvatore Cacciola poderão resultar em um novo inquérito. Os agentes encarregados das investigações apuram indícios de que o Banco Marka teria produzido três balanços financeiros diferentes - um interno, um oferecido à Receita Federal e outro publicado nos jornais.
"Se comprovarmos essa pluralidade de balanços, abriremos um inquérito paralelo ao que está sendo conduzido para averiguar irregularidades no socorro prestado pelo Banco Central aos bancos Marka e FonteCindam", disse um dos responsáveis pela investigação.
Ainda segundo as fontes da PF, pelo menos 20 pessoas deverão prestar depoimentos no inquérito que investiga a operação de socorro aos dois bancos. A relação de nomes deverá ser definida a partir da próxima sexta-feira, prevêem os agentes. Eles confirmam que o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes será intimado a depôr novamente, em data a ser definida. Além de Lopes, deverão ser intimados a prestar depoimentos a diretora jurídica do Banco Marka, Cíntia Moura - considerada o braço direito de Salvatore Cacciola, dono do banco -, e os irmãos Sérgio e Luiz Augusto Bragança, apontados como suspeitos de venda ao mercado financeiro de informações privilegiadas obtidas junto a Lopes. Não há ainda uma definição das datas para os depoimentos.
Hoje, os quatro peritos que estavam examinando os disquetes e os CPUs apreendidos nas diligências às casas de Lopes e de Cacciola seguiram para Brasília, levando a maior parte do material apreendido. A PF informou que não há uma previsão de quando sairão os laudos dos peritos sobre o material que já foi analisado.
O presidente do Sindicato Nacional de Auditores da Receita Federal (Unafisco Sindical), Nelson Pessuto, disse que a Receita Federal ainda não começou a investigar as declarações de Imposto de Renda de Lopes e de Cacciola. Para Pessuto, no entanto, a realização de uma investigação sobre as declarações de Cacciola seria trabalhar "em cima de uma fratura exposta". Na opinião dele, "se Cacciola já mandou dinheiro para o Exterior, não haveria mais como recuperar".

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