Inquérito sobre mortes em UTI tem sigilo quebrado
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Rubens Chueire Jr.<BR>Reportagem Local 
Curitiba - A Vara de Execuções Penais de Curitiba quebrou o sigilo do inquérito que investiga os procedimentos feitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Geral do Hospital Evangélico da capital. A solicitação foi concedida no final da noite de segunda-feira.
A delegada Paula Brisola, do Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa), fez a solicitação na última sexta-feira, mesmo dia que outros quatro mandados de prisão de funcionários (três médicos e uma enfermeira) foram expedidos. Há uma semana, a delegada afirmou, durante uma coletiva, que havia pedido para o inquérito correr em segredo de Justiça porque "poderia causar comoção pública". A assessoria da Polícia Civil informou que somente após todos os familiares de pessoas que passaram pela UTI do hospital e vieram a óbito serem comunicados oficialmente, o Nucrisa vai se manifestar sobre o caso.
Em coletiva na segunda-feira, o Hospital Evangélico informou que seis prontuários tinham sido recolhidos pela polícia sendo que, em um dos casos, o paciente se recuperou. Estes pacientes ficaram internados na UTI entre 24 e 28 de janeiro. A investigação do Nucrisa culminou na prisão da médica Virgínia Soares de Souza, no último dia 19. Ela deve ser indiciada por homicídios qualificados. A reportagem entrou em contato com o advogado Elias Mattar Assad, defensor da médica Virgínia, e que vinha pedindo a quebra do sigilo, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.
Sindicato
Depois das declarações dos responsáveis pelo Hospital Evangélico, que classificaram a investigação de "policialesca e midiática", o Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná (Sidepol) divulgou uma nota ontem. "A investigação criminal foi realizada dentro de padrões internacionais, utilizando todos os recursos atuais de intervenção permitidos pelo Estado de Direito, tais como interceptação telefônica, infiltração, oitivas de testemunhas e requisição de documentos", assinou o delegado Jaime Estorilio, presidente do Sidepol.
O Ministério Público do Paraná afirmou ontem, também por meio de nota, que "o inquérito policial está sendo acompanhado com as cautelas necessárias para o esclarecimento dos casos em apuração". O órgão ainda ressaltou que "os elementos probatórios que constam até o momento no inquérito são considerados fortes, razão pela qual o MPPR manifestou-se favoravelmente em relação aos pedidos de prisão".


