Inquérito sobre morte de sem-teto depende de laudo
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sexta-feira, 23 de maio de 1997
Agência Folha 
SÃO PAULO - As investigações sobre o conflito entre a Polícia Militar de São Paulo e os sem-teto dependem das conclusões dos peritos criminais em dois laudos do Instituto de Criminalística e dos médicos em um exame do Instituto Médico Legal. Na próxima semana, o IML deverá divulgar os exames feitos nos cadáveres dos três sem-teto que morreram durante a reintegração de posse da Fazenda da Juta, em São Mateus (zona leste de São Paulo), na terça-feira. No laudo dos médicos legistas deverá ser determinada a causa da morte dos sem-teto e a trajetória descrita pelos disparos no interior dos corpos das vítimas. Os legistas deverão apontar o número de balas que atingiram os mortos, e a distância, quando for possível determiná-la, em que os tiros foram efetuados. Os laudos do IC não têm prazo para ficar prontos.
Dois são os exames principais que os peritos criminais farão: a análise do local do confronto e o laudo de balística. No primeiro caso, os peritos do IC foram ao conjunto de prédios da Fazenda da Juta para verificar de onde partiram os disparos e fotografar o local. Podem determinar se a PM atirou e se os sem-teto atiraram. Por exemplo: no laudo do massacre de 111 presos na Casa de Detenção, os peritos concluíram que os presos foram mortos sem defesa e sem que tivessem reagido.
Num exame preliminar na Fazenda da Juta, os peritos só acharam evidências que os PMs atiraram. Foram encontrados buracos de bala nos prédios ocupados. Pelo localização das marcas, os tiros só podiam ter sido disparados da posição em que estavam os PMs. O laudo de balística pode determinar de quais armas saíram os tiros que mataram os sem-teto. Ao todo, 97 revólveres dos PMs foram apreendidos.


